A Violência Contra a Mulher

Enviada em 02/10/2020

Séculos de luta pelos direitos das mulheres, diversas descobertas científicas, importantes protagonismos para tornar a sociedade igualitária, e, ainda assim, estáticas mostram que a violência contra a mulher persiste no país . Esse abuso físico tem repercussões psicológicas e sociais, e afeta tragicamente muitas pessoas, sendo um grande problema no Brasil . Dessa forma, esse problema é causado por discursos que naturalizam tal violência e causa danos psico- sociais em suas vítimas diretas e indiretas, e, por conseguinte deve ser resolvido.

“Ser mãe é sofrer no paraíso”; “ Em briga de homem e mulher não se mete a colher”; ”Mulher tem sexto sentido”; Esses são apenas alguns provérbios mas o discurso que naturaliza o sofrimento, a violência contra a mulher e que desmerece sua inteligência ao dota-la de poderes místicos se estende para todos os campos sociais. Uma vez naturalizada, essa violência deixa de ser compreendida como tal, não é incomum, por exemplo, que muitas mulheres se orgulhem de padecer no paraíso . Pierrô Bourdieu, sociólogo, nomeou esse fenômeno de “violência simbólica “uma cultura de dominação em que dominados e dominantes introjetam inconscientemente um discurso, se é inconsciente, explicitar esse mecanismo pode desconstruir a dominação, portanto.

Em decorrência dessa naturalização, a violência contra a mulher permanece na sociedade, e as vítimas não veem a denúncia como atitude correta, e os danos se estendem ao restante da família. Nesse cenário, com o discurso machista que permeia a normalidade no ambiente de violência domestica, a mulher abusada enxerga sua situação como normal, e não se sente no direito de denunciar o abusador. Além disso, no ambiente familiar, os demais membros da família são amplamente afetados, em especial crianças, que frequentemente crescem com receios e traumas, e, segundo estudos psicológicos, se tornam propensos alcoólatras e podem desenvolver comportamento agressivo.

Portanto, é indubitável que medidas precisam ser tomadas para superar a violência contra a mulher no Brasil. Cabe ao ministério da mulher família e dos diretos humanos, em conjunto com a mídia, a elaboração de um conteúdo que explique, de forma simples e entendível, o mecanismo da violência simbólica, desconstruindo assim o discurso da violência contra a mulher, e encorajando a denúncia com base nos danos psicológicos e comportamentais que tal exerce nos filhos, levando os abusadores a julgamento. Com isso, a violência contra a mulher no país será apenas um resquício estatístico .