A Violência Contra a Mulher
Enviada em 27/09/2020
O filme “Homem-Aranha”, de 2002, apresenta a personagem Mary Jane, a qual era constantemente colocada em perigo e, por isso, tinha que ser salva pelo super-herói da história. De modo semelhante, tal episódio ocorre no Brasil, tendo em vista que as mulheres estão submetidas, recorrentemente, à situações de violência, portanto, necessitam de proteção. Por outro lado, apesar das medidas existentes para o combate aos diversos tipos de agressão ao sexo feminino, esse problema persiste por apresentar raízes históricas e pela valorização do sexo masculino, corroborando para que o impasse não apresente melhoras.
Nesse contexto, cabe ressaltar que no período do Brasil colonial, os senhores de engenho abusavam e violentavam as escravas que trabalhavam para eles. Dessa maneira, elas eram inferiorizadas e marginalizadas, o que gerou marcas na sociedade atual uma vez que, as mulheres sofrem com as desigualdades salariais, sociais e políticas em relação aos homens e, além disso, são vítimas de um passado violento da história que traz consequências e implica para o aumento do número de denúncias contra esse ato cruel. Nesse viés, sabendo que as acusações de agressão cresceram 112% em 2010, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo portal de notícias G1, é evidente que os brasileiros vivem em uma cultura que se habituou a conviver com a violência.
Ademais, o patriarcalismo contribui para a persistência de um pensamento machista e autoritário na comunidade. Dessa forma, as pessoas julgam o sexo feminino como vulnerável e inferior e, por esse motivo, as mulheres continuam sofrendo nas mãos do patriarcado e o número de agressões continua aumentando. Nessa perspectiva, a banalização dos fatores que reforçam a ideologia de enaltecimento do homem e desprezo da mulher é explicada pela teoria da banalização do mal, da filósofa alemã Hannah Arendt, a qual expõe que um problema se mantém no corpo social por estar enraizado na natureza humana e porque o praticante do mal banal não conhece a culpa. Portanto, a conscientização da população acerca da gravidade da situação é crucial para a tomada de providências.
Outrossim, é pertinente salientar que a violência de gênero é um retrocesso para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Destarte, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve criar palestras e campanhas nas escolas e faculdades, as quais incentivem a denúncia de atos violentos, por meio da instrução dos estudantes sobre os canais existentes para a realização de tal queixa. Nesse sentido, a mídia também deve se aliar as campanhas governamentais, propagando informações nas estações de rádio, jornais e canais de televisão aberta, visando atingir o maior número de pessoas possível, para que a população não necessite de um super-herói, assim como a Mary Jane.