A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/01/2021
A tenista americana Billy Jean King protagonizou a partida de tênis conhecida como " a batalha dos sexos". Nela, King, a principal de sua categoria, competia com um homem, o número um do esporte na época. A luz disso, no Brasil, o esporte feminino enfrenta desafios para sua valorização, a saber, a sexualização das mulheres nesse meio e a escassa audiência que a modalidade feminina adquire.
A princípio, a sexualização do esporte feminino promove sua inferiorização. Nesse sentido, é comum se destacar apenas a aparência física de profissionais do desporto (como atletas, arbitras e jornalistas) e até mesmo de entusiastas, desprezando suas habilidades e conhecimentos desportivos. Isso pode ser visto em um dos episódios do quadro “Mulheres no Esporte” do programa Globo Esporte - que pertence à emissora Globo -, no qual uma torcedora afirma já ter ouvido que a mulher no futebol serve apenas para embelezá-lo. Isto é, aparenta-se que o papel feminino nesse meio se resume a mera decoração; não são reconhecidos os méritos e talentos dessas pessoas. Assim, vê-se que há um longo caminho até a valorização dessa modalidade.
Ademais, é fato que o esporte feminino tem menos atenção pública. Frente a isso, a presença das mulheres nesse espaço representa uma quebra de paradigma e, não à toa, começou a ser divulgada apenas nas últimas décadas. Isso acontece por conta de uma dominação masculina que demarcou os papéis sociais de gênero. Assim, a figura da mulher estaria ligada somente às atividades do lar e às necessidades familiares. Nesse sentido, é válido citar as falas de Pierre Coubertin - idealizador das Olímpiadas modernas - em que ele resume a participação feminina nos jogos como incorreta. Isso porque, o esporte agiria derrubando as barreiras que essa função social construiu há séculos para as mulheres. Contudo, ideias como as de Coubertin ainda teimam em questionar o espaço delas na sociedade.
Destarte, urge medidas que alterem esse quadro de desvalorização. Para tanto, cabe a Secretaria Especial do Esporte - por coordenar políticas públicas dessa natureza - em colaboração com a mídia televisiva - para maior visibilidade - promover partidas de modalidades femininas. Isso deve ser feito por meio da transmissão de tais jogos no horário nobre da televisão brasileira. Assim, seriam televisionadas partidas da seleção feminina de futebol ou vôlei e até mesmo embates entre equipes e atletas rivais. Dessa forma, mostrar-se-á que o esporte feminino pode despertar tanta emoção e admiração quantos as demais categorias. Por meio disso, a valorização da mulher e de seu esporte será, enfim, alcançada.