A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 15/01/2021

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos propõe como um dos direitos fundamentais a igualdade de gêneros. Hodiernamente, contudo, observa-se que tal direito não é efetivado na prática, uma vez que a participação feminina no esporte brasileiro ainda permance limitada e não recebe a devida valorização. Diante disso, faz-se mister analisar as causas dessa problemática, com o intuito de solucioná-la, dando ênfase à insuficiência do poder estatal e à herença patriarcal existente no país.

Sob essa ótica, deve-se pontuar que a ineficiência do poder governamental em incentivar a prática desportiva pelo público femino se configura como um dos responsáveis pelo imbróglio. Nesse ínterim, convém salientar o pensamento do filósofo contratualista Thomas Hobbes, o qual declara o Estado como o principal responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, esse pacto é rompido e não condiz com a realidade, haja vista que, embora a Constituição Federal assegure a igualdade de gêneros, o número de mulheres no esporte ainda é muito reduzido, cerca de 40% a menos que os homens, de acordo com dados do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Dessa forma, a falta de incentivo adequado por parte das autoridades colabora para esse panorama inconstitucional.

Outrossim, o preconceito para com as mulheres enraizado na história brasileira é um complexo dificultador. Nesse sentido, é válido ressaltar o pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss, o qual defende que só se pode compreender as ações coletivas do presente com base nos eventos históricos que as antecedem. Sob essa perspectiva, é possível perceber a intrínseca relação entre a falta da devida valorização do esporte feminino e a história da mulher no contexto mundial, isso pois, desde a Antiguidade Clássica até meados do século XX, o sexo feminino ainda sofria com o sistema patriarcal existente, ou seja, o homem era visto como a figura principal e a mulher apenas como o " sexo frágil". Assim, a manutenção dessa visão impossibilita a ampla disseminação do esporte feminino atualmente.

Logo, é imperioso que medidas sejam tomadas para mitigar essa adversidade. Para isso, é preciso que o Ministério da Cidadania - órgão responsável pelas políticas esportivas-, em conjunto com a rede midiática, incentive a prática do esporte feminino e descontrua paradigmas preconceituosos existentes, a fim de construir uma esfera social mais respeitosa e com ampla participação desportiva. Isso deve ser feito, por meio da disseminação de entrevistas nos veículos midiáticos, como a televisão e a internet, as quais contem com a participação de grandes personalidades femininas, por exemplo, a jogadora de futebol Marta, as quais falarão sobre as suas carreiras e ,assim, incentivarão outras mulheres.Destarte, será possível atingir a igualidade de gênero no cenário esportivo brasileiro.