A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 14/01/2021

Na Era Vargas as mulheres eram proibidas de praticarem qualquer tipo de esporte que fosse considerado incompatível com a condição de sua natureza, frágil, como o futebol. Essa resolução impactou negativamente a valorização do esporte feminino, uma vez que até hoje têm baixos investimentos nesse setor e é permeado de estereótipos.

A priori, é preciso ressaltar a desvalorização estatal no que tange o esporte feminino, visto que faltam políticas publicas para o incentivo dessa prática. Nesse contexto, os 40 anos que as mulheres foram impedidas de praticarem alguns esportes, junto à falta de investimentos do estado, corroboram com a baixa valorização esportiva feminina. Prova disso são as poucas quadras poliesportivas e a escassa quantidade de escolinhas de esporte destinadas às mulheres, refletindo, assim, em uma menor visibilidade nas mídias e na diminuição de interesses de patrocínio às atletas. Dessa forma, o governo rompe com o “Contrato Social”, defendido pelo contruatalista Jonh Locke, o qual acredita que o estado é o responsável pela garantia do bem-estar da população. Logo, uma vez que os responsáveis por essa garantia não criam leis de incentivo ao esporte feminino na sociedade brasileira, torna-se negligente com parcela da população.

Ademais, outro fator que corrobora a desvalorização do esporte feminino na sociedade brasileira é o preconceito existente. Isso porque há uma resistência cultural da sociedade em aceitar e equiparar a prática esportiva de ambos os genêros, porque a classe feminina, muitas vezes, é considerada inferior. Assim, o esporte masculino, devido à maior visibilidade existente, acaba sendo considerado o único possível de espetacularização. Desse modo, os estereótipos e discriminações respectivo ao esporte feminino é repassado através das gerações. Segundo o sociólogo Pierre Bourdier, autor da “Teoria do Habitus”, os comportamentos são neutralizados por acontecerem de forma anterior e exterior a quem os comete. Nesse viés, o indivíduo interioriza o preconceito existente no meio e depois exterioriza, repassando aos outros, o que leva a perpetuação da desvalorização esportiva feminina.

Portanto, vistos os motivos que levam a perpetuação negativa da valorização do esporte feminino, são necessárias medidas que revertam essa situação. Para isso, urge que a Secretária do Esporte, órgão responsável pela fomentação dessa prática, promova campeonatos esportivos femininos em todos os estados nacionais e, por meio de verbas governamentais destinados ao esporte, realize campanhas midiáticas nas TVs locais, assim como a transmissão desses jogos e competições, a fim de propagar na população o interesse por essa modalidade esportiva. Com isso, será possível a valorização do esporte feminino, diferente do ocorrido na epóca de Vargas.