A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 14/01/2021
O Brasil é mundialmente conhecido como o “País do Futebol”. Entretanto, o futebol feminino foi regulamentado somente em 1983, em virtude da luta das mulheres para poder estar em campo nas grandes competições. Embora as mulheres tenham conquistado seu espaço no âmbito esportivo, que desde a Grécia Antiga era destinado somente para homens, ainda existem inúmeras diferenças no tratamento dado às atletas e técnicas, quando comparadas aos homens, haja vista que, em todas as modalidades, elas encontram dificuldades de se manter, pois não recebem a devida valorização diante da mídia, do público e dos patrocinadores que as bancam.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o machismo persistente nas raízes da sociedade brasileira, é o principal fator influente na disparidade, não somente no tratamento e nos salários de atletas de alta performance, mas também nas oportunidades que lhes são dadas desde a infância. Nesse viés, muitas meninas são privadas de jogar bola quando crianças, tanto por seus familiares, quanto por jogadores meninos. A exemplo disso, a ex-futebolísta Aline Pellegrino afirma que quando meninas começarem a ganhar bolas ao invés de bonecas, o futebol feminino será um esporte de massa e consequentemente, mais procurado e valorizado. Logo, faz-se necessária a desconstrução de que o futebol é um esporte “de meninos”, para que as meninas também sejam incentivadas a praticá-lo.
Além disso, deve-se apontar que as mulheres não recebem as mesmas oportunidades, o mesmo tratamento, os mesmos salários(muitas sequer tem carteira assinada), nem o mesmo respeito que os homens, mas ainda assim, são cobradas a ter a mesma performance que eles para atrair patrocínio, desde as categorias de base até as profissionais de alto rendimento. Desse modo, muitos falam que o esporte feminino é menos interessante, e a maneira que a mídia encontrou de torná-lo mais atrativo foi objetificando as atletas, alterando o tamanho dos uniformes em algumas modalidades para deixar seus corpos à mostra. Com efeito, as mulheres são valorizadas pelo seu padrão estético e não por seu desempenho técnico e tático, e esse cenário se converterá somente quando as atletas não precisarem ser atrantentes para o público para ter maior visibilidade e equidade dentro do esporte.
É evidente, portanto, que as mulheres enfrentam diariamente dificuldades de mostrar sua capacidade e exigir seus direitos, ainda que sejam garantidos pela lei. Desse modo, cabe a mídia destinar mais tempo aos programas esportivos femininos, para que as mulheres tenham mais visibilidade e as meninas encontrem sua representatividade. Ademais, que o governo invista em centros de treinamento esportivo para meninas, e ofereça por meio de treinos de qualidade, a formação de atletas mulheres, a fim de valorizar o esporte feminino que vem sendo reprimido desde a Grécia Antiga.