A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 13/01/2021

A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura a todo cidadão o acesso ao lazer e aponta o dever do Estado em fomentar a prática do esporte. Contudo, a desigualdade de gênero se expressa no acesso desigual das mulheres à prática esportiva, privando-as, assim, do pleno exercício de seus direitos. Portanto, cabe destacar os principais fatores que evidenciam a desvalorização do esporte feminino em território nacional: a falta de incentivo nas escolas e a baixa visibilidade oferecida às atletas.

Convém ressaltar, a princípio, o desamparo sofrido pelas meninas que desejam se  inserier no mundo dos esportes ainda no ambiente escolar. É evidente, ao se analisar o filme " Ela é o cara", o descaso das escolas com relação ao tema, visto que, em função da extinção do time de futebol feminino, a personagem principal precisa fingir ser um homem para participar do campeonato escolar.  Analogamente,  apesar de, na ficção, a personaem não desistir de seu sonho, essa não é a realidade de diversas meninas brasileiras, visto que, segundo uma pesquisa realizada pela “Always” em 2016, cerca de 70% das estudantes brasileiras deixam a vida esportiva por criar a concepção de que “esportes não são coisa de menina”. Logo, é inaceitável que a falta de incentivo permaneça desmotivando a prática esportiva feminina.

Cabe destacar, ainda, a baixa valorização das atletas nos portais de mídia, fator que contribui negativamente para a permanência do impasse. Segundo uma pesquisa realizada pelo Unisinos, divulgada em 2018, apenas 2,7% da cobertura midiática brasileira está voltada ao futebol feminino, uma porcentagem consideravelmente pequena para um país conhecido como o “país do futebol”. É inadmissível que os canais de mídia ofereçam tão pouco espaço a uma modalidade tão importante como a dos jogos femininos, que incentivam outras mulheres a se ingressarem nos esportes e  representam uma oportunidade de crescimento para as jogadoras brasileiras. Sendo assim, cabe às autoridades responsáveis um urgente posicionamento a respeito da problemática.

Portanto, cabe às redes de mídia, que ,atualmente, assumiram o papel de mediadoras do conhecimento, o incentivo à entrada e permanencia das brasileiras nos esportes, por meio não só de propagandas que preguem o protagonismo feminino, como também da concessão de uma maior visibilidade a esse grupo de esportistas, com o intuito de estimular a ideia de igualdade de gênero no país. Espera-se que, dessa maneira, todas as atletas brasileiras, das infantis, nas escolas, às profissionais, nos campos, passem a ser mais valorizadas em nossa sociedade.