A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 24/12/2020
A Constituição Federal, maior ordenamento jurídico brasileiro, assegura que é dever do Estado a fomentação desportiva no país. Contudo, esse documento é assolado com a desvalorização do esporte feminino no Brasil, a qual fomenta a desigualdade de gênero e é estimulado por diversos fatores. Dentre eles, o preconceito contra a presença de mulheres no setor, e a negligência dos clubes, que não contam com medidas de combate à problemática. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.
A princípio, é válido salientar que de acordo com a historiografia, os primeiros registros de jogos olímpicos na Grécia Antiga foram por volta de 776 Antes de Cristo, os quais contavam apenas com homens e excluía a presença de mulheres, até mesmo para assistir. Desse modo, o Brasil espelha essa realidade em não valorizar a contribuição feminina para o esporte nacional, uma vez que ganha pouca visibilidade quando comparado ao masculino e tem suas atuações e conquistas banalizadas, tudo fruto do machismo e patriarcado vigente na sociedade. No filme Mulan, da Walt Disney, conta história de uma mulher que entra para o exército, mesmo sendo proibida, e torna-se essencial para a vitória do país na guerra, evidenciando a força da presença femínea.
Outrossim, parafraseando a teoria de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt, a qual diz que o Estado negligencia situações problemas na sociedade, os clubes esportivos também agem de maneira análoga. Haja vista que não contam com medidas que visem estimular a prática desportiva entre mulheres e mostrar a sua importância, o qual é minimizada e negligenciada. Consoante notícia do jornal Folha de São Paulo, atletas denunciam clubes à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por falta de ajuda no futebol femíneo, evidenciando que quando a negligência regra, a sua valorização é exceção.
Por conseguinte, compete ao Ministério do Esporte, em parceria com a mídia, a divulgação de campanhas publicitárias, no rádio e na televisão, que apresentem a relevância desportiva entre garotas, suas contribuições e importância para construção moral do país, a fim de diminuir o preconceito e estimular sua atuação no cenário brasileiro. E só assim, com medidas graduais e progressivas, valorizar o esporte feminino e fazer valer a Carta Magna de 1988.