A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/08/2020

As lutas feministas do século XX confrontaram o pensamento machista vigente e proporcionaram a conquista dos direitos femininos. No entanto, esse processo ainda não foi concretizado e,em diversos âmbitos, o sexo feminino sofre discriminação e preconceito. No esporte, por exemplo, ainda é necessária certa valorização do trabalho desempenhado pelas mulheres, geralmente marginalizado em detrimento das atividades masculinas. Isso ocorre devido à herança histórica do machismo e a visão determinista sobre a mulher — fatores que devem ser analisados para reverter esse cenário.

Em uma perspectiva histórica, nota-se que o sexo feminino foi tratado como inferior em vários períodos da linha do tempo humana. Na Grécia antiga, a título de informação, a mulher não era considerada cidadã e assumia apenas a função materna. Já ao longo da história brasileira, submetiam-se ao patriarcado e ocupavam-se também da maternidade ou do lar. Dessa forma, ao considerar que o passado reflete-se diretamente na conjuntura atual, entende-se que essa herança histórica ligada a suposta superioridade humana gera falsas noções, socialmente construídas, de que as mulheres não  podem ocupar cargos que não foram pré-determinados pelas tradições, como práticas esportivas.

Além disso, outro fator utilizado para tentar justificar a irreal inferioridade esportiva feminina é o determinismo referente à biologia do corpo da mulher. O pensamento de que a mulher é o “sexo frágil” foi difundido na sociedade com o passar do tempo e colaborou com a manutenção das estruturas machistas. O período literário romântico ilustra essa conjuntura ao retratar as damas como donzelas delicadas e indefesas, além de diminutas fisicamente. Esse ideal errôneo favoreceu a menor inserção e valorização das atletas à medida que definiu suas habilidades como menores, quando comparadas às masculinas.

Em decorrência das análises executadas, urge que o Ministério da Educação, auxiliado pelo Ministério da Cidadania, por intermédio de verbas públicas, busque estabelecer campanhas —  nas instituições de ensino e em todos os meios midiáticos possíveis —  acerca da igualdade de gênero e a presença das mulheres no esporte; a fim de valorizar a atuação delas nesse setor, bem como corroborar para a construção de uma sociedade mais igualitária e  justa.