A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A Copa do Mundo Feminina de 2019 bateu recorde histórico de audiência, segundo a FIFA. Entretanto, a dificuldade presente no percurso das atletas pouco mudou. Haja vista a desvalorização dos times femininos no Brasil percebe-se nitidamente a diferença quanto à exaltação dada ao esporte ao ser protagonizado pela equipe masculina. Tal discrepância aumenta o preconceito no espaço esportivo e obsta o desenvolvimento da carreira de muitas atletas.

A princípio, pode-se enfatizar o preconceito existente no ambiente esportivo majoritariamente masculino. Consoante a isso, a antropóloga Judith Butler descontrói a concepção binária atributiva de papeis mediante a perspectiva de “gênero”. Ou seja, a visão de sujeição da mulher a características ligadas a atividades predeterminadas para seu grupo e a espaços que não sejam de predominância do gênero oposto como, por exemplo, o esporte. Sendo assim, hodiernamente, vê-se que a cultura brasileira ainda sustenta o antigo paradigma binário em que o futebol é feito para os homens, não para ambos.

Além disso, são evidentes os inúmeros entraves ao prosseguimento sucedido daquelas que desejam seguir o futebol como profissão, levando em conta os baixos salários e pouca visibilidade. Esse fato é corroborado, pois, de acordo com a revista estrangeira France Football, o salário do jogador Neymar é 269 vezes maior que o de Marta, eleita 6 vezes a melhor jogadora do mundo. Dessa forma, torna-se claro a divergência de reconhecimento dentro do futebol feminino e masculino, acarretando muitas desistências durante a carreira.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que venham ressaltar a valorização do futebol feminino no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Cidadania em parceria com a mídia, realizar campanhas durante a exibição de campeonatos femininos, a fim de aumentar a visibilidade dos times e atletas. Além da promoção, por parte das escolas em conjunto com as secretarias municipais, de mais eventos esportivos para crianças de várias idades com times femininos e masculinos em igual proporção.