A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/08/2020

Durante toda a Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea, o lazer foi institucionalmente dividido entre homens e mulheres, contudo, com o avanço do movimento feminista, no século XIX, as mulheres passaram a ter mais participação em eventos desportivos. De maneira análoga, o Brasil, hodiernamente, passa por questões que discorrem sobre o esporte feminino nacional. Essa realidade se deve ao machismo enraizado na sociedade brasileira, e à falta de incentivo a atividades físicas entre as mulheres. Logo, ações nessas duas frentes são necessárias para superar o impasse.

Indubitavelmente, as mulheres foram colocadas em posições inferiores e idealizadas durante a maior parte da história da humanidade, e essa realidade ainda influencia a dinâmica social do nosso país. Prova disso, é mister buscar em Aristóteles a égide para compreensão do fato, posto que o filósofo grego caracteriza as mulheres como “homens deficientes”, explicitando a visão machista existente na Idade Antiga e que perdura até os dias de hoje. Nesse contexto, a visão das mulheres como inerentemente piores que os homens foi usada como justificativa para sua exclusão dos Jogos Olímpicos gregos, grande campeonato disputado por atletas das cidades-Estado mediterrâneas, e que originaram as Olimpíadas contemporâneas, das quais as mulheres puderam participar a partir de 1900. Assim, conclui-se que o machismo tem sido empecilho para o avanço e a difusão do esporte feminino.

Ademais, a falta de incetivo à inclusão de mulheres no esporte perpetua a setorização do lazer entre gêneros. Exemplo disso, a pesquisa do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas concluiu que a prática de exercícios físicos por mulheres no Brasil é 40% inferior ao percentual entre os homens. Essa realidade reflete a falta de investimento financeiro no esporte feminino, como pode ser visto no orçamento da Fifa que gasta mais de um bilhão a mais em atividades masculinas que em femininas. Em consequência da priorização do esporte masculino, temos, no Brasil, uma grave infração do artigo 5° da Constituição Federal de 1988, que garante que todos os cidadão, independentemente do gênero, devem ter acesso à lazer e práticas desportivas. Destarte, é necessário investir mais recursos nas atividades femininas, de modo a diminuir a discrepância entre homens e mulheres no mundo esportivo.

Em suma, é necessário, portanto, a ação de um agente interventor frente à necessidade de valorização do esporte feminino. Para tanto, o Ministério da Cidadania, como órgão responsável pelo desenvolvimento social no Brasil, desenvolver campanhas midiáticas e comunitárias, pois assim poderá alcançar um grande número de indivíduos. Tal empreitada social será realizada por meio da promoção de maratonas, competições e palestras, com o objetivo de incentivar a participação feminina nas atividades citadas. Por fim, observar-se-á mudanças no plano nacional.