A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

“Não terá uma Marta para sempre”. Essa foi a mensagem repassada pelo time de futebol feminino brasileiro na última Copa do Mundo, com o intuito de envolver a nova geração de jogadoras. Tal cenário, infelizmente, retrata a dificuldade que o esporte feminino enfrenta nacionalmente. Nesse âmbito, a desvalorização das esportistas impõem-se como uma questão cultural, na qual o desconhecimento e o descaso da sociedade fincam suas raízes.

Em primeira análise, observa-se a origem dessa problemática. Retrocedendo historicamente é evidente que a exclusão de mulheres em atividades físicas e intelectuais está diretamente associada a uma visão misógina e patriarcal de inferioridade feminina. Isso atingiu o esporte de tal maneira que, até hoje, os homens são maioria tanto no público quanto nos próprios atletas. Mesmo na infância, o incentivo a atividades físicas, muitas vezes, se restringe aos meninos, enquanto as meninas devem ajudar em tarefas domésticas. Nesse contexto, conforme o pensamento de Habermas, filósofo alemão, incluir não é apenas trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro. Dessa forma, o primeiro desafio é alterar essa realidade.

Em consonância, notam-se os desafios enfrentados por essas profissionais diariamente. Poucos patrocínios, menores salários, atitudes discriminatórias - esses aspectos corroboram para manutenção do problema. Soma-se a isso, o papel negativo que a mídia desempenha, objetificando as atletas, de modo a resumir suas entrevistas em moda, cabelos e relacionamentos, enquanto que no masculino há um grande destaque em suas habilidades e carreira. Esse cenário vai ao encontro da obra “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, que revela a indiferença da sociedade diante do infortúnio do outro como  uma “cegueira coletiva”, evidenciando um cenário sem perspectivas de mudanças. Sendo assim, percebe-se que o Brasil é país regido por privilégios e não por igualdade de gênero.

É fundamental, portanto, valorizar o meio esportivo feminino. Cabe às escolas em parceria com mulheres profissionais do esporte realizarem rodas de conversa, por meio de atividades integrando pais e filhos, que incentivem e demonstrem a importância do esporte e, principalmente, da igualdade de gênero nesse ambiente, contribuindo para o erradicar essa prática histórica. Por mais, influenciadores digitais devem reverter a problemática da mídia utilizando vídeos compartilhados nas redes sociais, destacando as habilidades das atletas, datas das competições e premiações, para assim impulsionar seu público-alvo para acompanhá-las. Somente assim, haverá um futuro otimista, com a tranquilidade de que mais “Martas” sempre existirão no Brasil.