A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A participação das mulheres no esporte é um fenômeno em ascensão, que acompanha as conquistas de liberdade e igualdade na sociedade. Segundo pesquisa realizada pelo Observatório Racial no Futebol, na edição do ano de 2016 dos jogos olímpicos, as mulheres correspondiam a 45% do número total de participantes. Apesar desse crescimento, as modalidades esportivas femininas ainda não gozam de valorização compatível com o seu alto nível, situação que permanece em virtude da ausência de ações afirmativas pelo Estado e baixa visibilidade na mídia.

Em primeira instância, o governo brasileiro tem uma grande parcela de culpa pela manutenção de uma imagem de inferioridade dos campeonatos femininos. Isso porque, na administração Getúlio Vargas o ente público chegou a proibir a participação de mulheres em determinadas modalidades esportivas e apesar de hoje já não existir medida restritiva legal, o Estado não adota ações de incentivo contundente visando corrigir essa grande deficiência causada pela Lei no tempo. Sendo assim, apesar de liberdade para participar e competir, os campeonatos femininos não estão perto da paridade financeira e popularidade, atributos conquistados por décadas de disputas masculinas, que devem ser equilibrado com a máquina pública para garantir uma igualdade de fato.

Ademais, convém ressaltar que a ausência de ocupação constante dos torneios femininos na mídia especializada é outra face da questão. Posto que a valorização de qualquer modalidade do conhecimento ou esportiva depende da sua visibilidade no âmbito social. Nesse sentido, apesar de existir uma discreta participação na programação, ainda não é suficiente para criar engajamento necessário com o público. Em suma, como é afirmado no ditado popular “Quem não é visto não é lembrado”, a integração das mulheres no esporte permanece na penumbra da mídia, mesmo com alta qualidade nas competições, o que contribui significativamente para sua desvalorização.

Logo, é imperativo que o ente público tome medidas para corrigir essa distorção no esporte. Por esse ângulo, o Governo Federal, por meio do seu Ministério da Cidadania, deve criar programas que incentivem os campeonatos femininos, oferecendo verba para sua estruturação e pagamento de atletas, de modo a garantir sua profissionalização. Essas ações têm por finalidade aumentar o interesse nessas modalidades, tanto das pessoas como da mídia, contribuindo para o acréscimo de valorização do esporte na sociedade, que não possuiu a mesma trajetória de ascensão do desporto masculino. Somente com a adoção de medidas afirmativas pelo ente público será possível corrigir as décadas de atraso causadas por restrições legais e contribuir para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.