A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

O filme “Menina de Ouro” conta a história de Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), uma jovem ambiciosa que deseja tornar-se lutadora de boxe mas é impedida pelo treinador local, que se nega a ajudar uma mulher a obter prestígio no meio esportivo. Analogamente à ficção é possível destacar a dificuldade feminina em ocupar espaços outrora designados ao gênero masculino, tendo como causa a cultura machista enraizada na sociedade, que estipula à mulher o âmbito privado. Sendo necessária, portanto, uma modificação do cenário atual, que desvaloriza a figura do feminino inserida no espaço desportivo.

No período da Grécia Antiga, quando houve ascensão da democracia ateniense, é necessário destacar que as mulheres não faziam parte do coletivo de cidadãos, título dado apenas aos homens livres. A partir de então nota-se a constante exclusão feminina do contexto público, restringindo sua participação à esfera doméstica, com atividades que ratificavam o esteriótipo de “sexo frágil”. Hodiernamente, observa-se que tal herança patriarcal perdura indubitavelmente no meio do esporte, pois a constante desvalorização do esporte feminino é resultado da imposição de uma visão de mulher ainda arcaica, repleta de preconceitos limitantes que excluem a possibilidade de ver a mulher como um ser autônomo, capaz de reverberar em lugares antes destinados somente ao masculino.

A ausência de patrocínios equivalentes entre esportistas mulheres e homens e a falta de apoio midiático são os principais fatores que ajudam no descrédito do esporte feminino. Como exemplificação é possível citar o futebol, símbolo nacional que remete orgulho do povo brasileiro: enquanto a seleção masculina ganha sempre notoriedade e espaço, sendo ganhando patrocínios de marcas populares ou tendo espaço nas mídias sociais e televisionadas, a seleção feminina luta por reconhecimento e valorização, estando em posições de deslegitimação que as consideram comparativamente inferiores aos homens no que cerne a prática do esporte; quando na realidade, se tratam de visões carregadas de tipificações machistas e inferiorizantes.

Destarte, é necessário que haja uma mudança no cenário atual promovida pelo Ministério da Cidadania, órgão responsável também pelo esporte, em união com redes televisivas de todo país, a fim de promover uma maior divulgação dos jogos femininos em todas as modalidades esportivas, bem como propagar ações no combate ao preconceito vivido pelas mulheres nesse meio; através do televisionamento dos jogos em horários específicos para cada emissora e implementação dessa pauta feminina nos programas de maior audiência. Para que dessa forma a sociedade mantenha-se informada acerca das conquistas femininas e atenha-se a acompanhar e valorizar também os esportes liderados por mulheres.