A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A luta  pela inserção feminina  nos mais variados campos sociais no Brasil vem de muitos tempo atrás, como o movimento sufragista, que reconheceu em 1927, no Rio Grande do Norte, o alistamento eleitoral feminino. Porém, várias barreiras ainda são enfrentas pelas mulheres brasileiras, em suas vidas profissionais e sociais, principalmente no que se diz respeito ao esporte. Problemas como a falta de visibilidade feminina nesse âmbito e além disso a sua erotização, são dois das principais desigualdades entre os gêneros feminino e masculino presentes no esporte brasileiro.

Em primeiro lugar, é fato as mulheres tinham, e mesmo que indiretamente, ainda têm sua figura representada apenas como algo maternal e delicado, não feita para praticar atividades como o esporte. Tanto que, a primeira aparição das mulheres em Jogos Olímpicos foi na sua segunda edição, em Paris. Eram 22 mulheres para 975 homens e uma falta de visibilidade imensa. Os meios de comunicação evidenciam esse fato ao transmitir e consequentemente valorizar apenas o Futebol (esporte mais popular no Brasil) masculino, marginalizando o feminino, mesmo que, a jogadora Marta, por exemplo, tenha feito mais gols que o conhecido rei do futebol, Pelé, tornando-se a maior artilheira da Seleção Brasileira.Tais situações diminuem ainda mais a visibilidade feminina no cenário esportivo brasileiro.

Em segundo lugar, é evidente a erotização do corpo feminino nos esportes, em suas mais variadas formas. O âmbito esportivo , onde seria um espaço de liberdade para as mulheres, acaba tornando-se machista e muitas vezes humilhante. Mary Peters,representante britânica do pentatlo moderno, passou por um conhecido “teste de feminilidade”, realizado entre as décadas de 1960 e 1990, descrito por ela como a experiência mais cruel e degradante pela qual passou. Além desses testes, os quais são injustos e humilhantes, as habilidades das jogadoras são deixadas de lado, e suas estéticas são o que importam, desde as roupas que vestem até as fotos tiradas e divulgadas das mesmas, que, em sua maioria, estão paradas e o foco são partes de seus corpos ditas como atrativas pelos homens. A erotização feminina nunca teve um fim.

Por fim, diante dos argumentos expostos, é imprescindível que o Ministério do Esporte e demais órgãos responsáveis criem categorias de esporte onde haja a integração de homens e mulheres, afim de que haja uma desmistificação de um catálogo empregado pela sociedade de que há determinados esportes que são apenas masculinos, havendo uma maior visibilidade feminina e menor diferenciações. Dessa forma, a busca pela equidade de gêneros nos esportes será, ao menos, praticada.