A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 31/07/2020
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas é um dos dezessete objetivos e metas de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela Organização Mundial das Nações Unidas (ONU). Entretanto, no Brasil, o esporte configura um campo de sérias dificuldades no que tange a inclusão e a valorização da mulher. Isso se evidencia devido a fatores históricos e a escassez de fomento público.
Primeiramente, nota-se que a desigualdade de gênero é uma problemática histórica na sociedade brasileira. A segregação do feminino da prática esportiva é expressa sob vários discursos. Dentre eles, ressalta-se a lei decretada no governo de Getúlio Vargas, em 1941, que proibia a mulher de praticar esportes, alegando que sua natureza não era compatível para tal atividade, devendo dedicar-se aos afazeres domésticos. Tal circunstância, portanto, é apenas um dos inúmeros exemplos que corroboram para a construção de uma visão deturpada e machista da inserção da figura feminina no desporto ao longo da história nacional.
Ademais, apesar da Constituição Federal estabelecer que o esporte é um direito de todos, observa-se uma negligência por parte do Estado em garantir o acesso a prática de atividades esportivas, em especial, a falta de políticas públicas para aumentar o acesso das mulheres ao esporte. Esse cenário pode ser exemplificado por meio do relatório “Movimento é Vida”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), segundo o qual a prática de exercícios físicos por mulheres no país é 40% inferior aos homens, indicando que o âmbito esportivo ainda possui demasia desigualdade de gênero.
Pelo exposto, infere-se que a valorização do esporte feminino é um impasse no Brasil e necessita de resoluções. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, por meio dos Ministérios da Educação e Cidadania, e a Secretaria da Cultura, desenvolver um projeto educacional baseado em atividades que integrem ambos os sexos, a fim de desconstruir o pensamento machista de que o esporte é só para homens, bem como, elaborar projetos e políticas públicas para estimular crianças e jovens a praticarem desportos e, investir em campanhas publicitárias apresentadas pelas atletas brasileiras nas grandes mídias e redes sociais. Com essas medidas, espera-se alcançar a igualdade de gênero estabelecida pela ONU e obter atletas mulheres que representem o Brasil em competições esportivas de prestígio.