A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

Simone de Beauvoir, em seu livro “O segundo sexo”, enfatiza a problemática da imposição sobre as mulheres de uma feminilidade definida de maneira arbitrária e rígida por uma sociedade patriarcal. Tal afirmação social gera repressão à liberdade feminina e, indubitavelmente, uma expressiva desvalorização profissional. Dentre as esferas profissionais mais desvalorizadas está o esporte, afetado  pela consequência de raízes socioculturais cravadas na idealização da mulher frágil e materna ou sensualizada, e pela escassez de patrocínio das grandes marcas.

Em primeiro plano, o papel social feminino estabelecido define-se pela responsabilidade doméstica e materna, em que a possibilidade de mudança é vista como repulsiva e incoerente. Esse papel e suas respostas podem ser analisadas no filme Mulan, no qual uma jovem mergulhada em sua cultura patriarcal, decide mascarar-se para poder exercer uma função que era exclusivamente masculina e mostrar suas competências. Não distante da ficção está o futebol feminino brasileiro, que se mostra como uma ameaça à representação da feminilidade instituída, já que as jogadoras acabam sendo masculinizadas para que assim se torne mais harmônico. A grande problemática está na incapacidade da sociedade em relacionar a mulher ao esporte de maneira profissional.

Diante do exposto, o patrocínio fica dificultado gerando um ciclo inacabável de reafirmações sobre o papel da mulher estar distante do esporte. Nesse sentido, é de grande importância a percepção sobre como a mulher é retratada nas propagandas midiáticas estando, na maioria das vezes, ligadas a sensualidade e erotização. Isso mostra a falta de espaço da mulher dentro do esporte e a importância da quebra de estruturas rígidas do patriarcado.

Ações governamentais de incentivo a valorização do esporte feminino são de extrema importância para que o país abrigue uma sociedade mais tolerante e economicamente estável. Para tanto, o Ministério da Educação deve incluir nos materiais didáticos fichas de ensino sobre a construção do papeis sociais ligados ao gênero e suas relações com a atualidade, incluindo questionários para que os alunos respondam se concordam com o funcionamento de tais construções com o objetivo de instigar a imaginação sociológica. Ademais, a mídia, como veículo de informação de ampla influência, deve se comprometer a retratar a realidade ofuscada dos clubes de esportes femininos e transmitir jogos com a mesma frequência que se transmite os masculinos. Com tais medidas espera-se que a sociedade se torne cada vez mais aberta às profissionais mulheres, e que, dentro do esporte, os grupos femininos alcancem rendas necessárias para continuidade de seus trabalhos.