A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 01/08/2020
Resultado de uma sociedade patriarcal, o esporte ficou por muito tempo sendo voltado para homens. Dessa forma, a luta das mulheres se voltou para a inserção nesse meio. No entanto, as meninas não são criadas para amar a prática esportiva como os meninos, o que reflete o preconceito existente. Por isso, cabe discutir os problemas enfrentados na valorização do esporte feminino no que diz respeito a proibição e a erotização dessa prática no Brasil.
Indubitavelmente, ficou aceito que a mulher não era feita para praticar esportes. Em 1941, Getúlio Vargas criou um decreto em que as proibiam por causa das condições de natureza incompatíveis. Sendo assim, levava-se em consideração que os esportes de alto impacto eram perigosos a representação da feminilidade. Nesse sentido, observa-se que a imagem feminina estava voltada para o espaço privado e que era necessário elas mentirem sobre o gênero para poderem participar de algo. A #meninastambémjogam mostra como a Maria Alice sofreu com o impedimento de jogar no seu time, pois a equipe era mista. Assim, exemplifica como as mulheres estão atualmente sujeitas com a proibição de participar dos esportes.
Outrossim, a erotização e a sexualização das atletas nas diversas modalidades é bem recorrente. De acordo com a professora da UFMG, Silvana Goellner, as atletas são tratadas como objetos pela mídia. Dessa maneira, observa-se que a mesma prioriza mostrar o corpo ao invés das habilidades técnicas e táticas envolvidas. Percebe-se isso nas fotos, quando os homens são fotografados em ação enquanto as mulheres em posições estáticas. Além disso, por haver a definição de que o futebol, por exemplo, é para homens, quando há mulheres jogando elas são tachadas como lésbicas, por estarem fazendo algo que é característico de meninos. Dessa forma, é preciso difundir que o gênero não está ligado à sexualidade.
Portanto, a proibição e a erotização contribuem com a não valorização do esporte feminino no Brasil. Em primeiro lugar, a escola deve ampliar as aulas de educação física com o intuito de agregar o corpo estudantil feminino na prática de esportes, permitindo o desenvolvimento e o reconhecimento de habilidades contando com a ajuda de psicólogos. Além disso, o governo deve criar leis, em parceria com os clubes atléticos, que assegurem os direitos dos atletas para que sejam reconhecidas pelas capacidades e não por beleza estética. Dessa forma, busca-se que a proibição e a erotização no esporte feminino diminuam e ocorra a valorização do mesmo.