A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A autora nigeriana Chimamanda, em seu mais conhecido “TedTalk” afirma que quando uma história única é apresentada, há a criação de estereótipos incompletos e perigosos, pois apenas um ponto de vista é retratado. Nesse viés, o início da socialização de bases patriarcais brasileira foi marcado pela estigmatização das mulheres como seres delicados, frágeis e subalternos aos homens. A criação de uma história única sobre o feminino tem reflexos latentes da sociedade atual, em especial, na esfera esportiva. Sob tal ótica, o esporte feminino no Brasil é marcado pela desvalorização e pelo diminuto incentivo. Essa problemática histórica está atrelada não só a preconceituosa consciência coletiva, mas também à pouca divulgação midiática.

Em primeira análise, o pensamento misógino coletivo, oriundo da histórica socialização patriarcal, reverbera no meio esportivo através da estigmatização de mulheres nessa esfera. Nesse sentido, o teórico Erving Goffman defende que a sociedade atribui estigmas sociais para aqueles que não se adequam ao padrão historicamente estabelecido. Esses estigmas são evidentes quando, por exemplo, meninas são julgadas por jogar futebol, por esta ser uma prática masculina. Dessa forma, a imagem estigmatizada e enraizada no corpo social da mulher no esporte como um ser “masculinizado” dificulta o incentivo e a acessão delas nesse meio notadamente machista e excludente.

Além disso, a diminuta divulgação midiática é um fator determinante para a desvalorização da pratica feminina de esportes. Nesse contexto, o sociólogo canadense Marshall McLuhan define a mídia como um instrumento de padronização dos comportamentos sociais. Assim, quando a mídia propaga a história única hegemônica da mulher com uma participação ínfima no esporte, a sociedade tende repetir esse comportamento. Com isso, a consequência direta é a manutenção da esfera esportiva como um espaço que pouco valoriza a participação feminina.

Compreende-se, portanto, que estratégias precisam ser traçadas para buscar a valorização feminina no meio esportivo. Para tanto, a mídia, em seu papel influenciador, deve incluir em sua grade horária a transmissão de jogos de equipes femininas. Essa transmissão deve ser feita por meio de canais abertos e em horários de grande audiência, para que, dessa forma, a sociedade possa normalizar e quebrar a estigmatização sobre o esporte feminino. Ademais, o Ministério da Educação deve incentivar a criação de jogos femininos entre escolas de uma mesma região. Desse modo, o corpo social poderá ter mais pontos de vistas, além da história única enraizada.