A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

Na Copa Mundial de Futebol Feminino, em 2019, a jogadora brasileira Marta optou por jogar sem patrocínio, de maneira a reivindicar a igualdade salarial entre homens e mulheres. Nesse viés, o episódio abordado expõe a árdua luta pela valorização do esporte feminino. Posto isso, tal alcance de reconhecimento, no país, implica, majoritariamente, na desconstrução de uma sociedade patriarcal e na intensificação de recursos monetários e democratização dos espaços de gênero na esfera midiática.

A princípio, de modo impreciso, o intolerante pensamento de associação entre a mulher e o sexo frágil – incapaz de realizar determinados esforços físicos – caracteriza-se como um dos frutos do patriarcalismo e perpetua na contemporaneidade. Nesse enfoque, o machismo enraizado transfigura-se como um dos principais desafios enfrentados por atletas de diversas especialidades. Exemplifique-se, assim, a prática esportiva por mulheres ser 40% inferior aos homens, consoante o site Globo Esporte. Dessa forma, tal descaso importuna a inserção ou permanência feminina no âmbito desportivo, uma vez que robustece o paradigma de inabilidade, pois, consoante o estudo do Fato Social – postulado pelo sociólogo Émile Durkheim-, o ser humano é influenciado pelo meio em que vive.

Ademais, em 1941, o Decreto-lei 3199 proibiu mulheres de praticar desportes. Atualmente, apesar da transição histórica e da noção do livre-arbítrio, ainda pode-se observar entraves – especialmente, ausência de investimentos financeiros-, para a equidade no meio esportivo. Nessa perspectiva, conforme o site Brasil de Fato, o ano de 2019 marcou a primeira exibição dos jogos futebolísticos da seleção brasileira feminina na TV aberta, que obteve recordes de audiência. Desse modo, o atraso da exposição na mídia desencadeia a omissão em transcender o espaço feminino no esporte e, portanto, pode corroborar ao não enaltecimento por parte dos patrocinadores.

Frente aos obstáculos discutidos, urge, por conseguinte, o papel do Ministério da Cidadania no engrandecimento da mulher esportista, por meio da ampliação e financiamento de projetos sociais como o Empodera – estimula a prática de atividades físicas como ferramenta para discussão de gênero – e da parceria com empresas privadas, a fim de possibilitar o aumento de patrocínios. Por último, tendo em vista a influência dos meios comunicativos, convém ao Ministério das Comunicações, determinar a obrigatoriedade da projeção de competições de todas as modalidades, com a finalidade de atrair o interesse social e empresarial e, possivelmente, propiciar a eminente igualdade.