A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 31/07/2020
O desenvolvimento humano só existirá se forem afirmados cincos pontos fundamentais: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade como defendido pelo sociólogo Herbert de Souza. No entanto, no cenário brasileiro hodierno, observa-se justamente o contrário, quanto à questão do esporte feminino que vem sendo cada vez mais desvalorizado. A partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só à escassa abordagem do problema, mas também à negligência governamental na solução desse infortúnio.
Primeiramente, o silenciamento em torno do tema contribui para a persistência da problemática. Nesse sentido, o filósofo Jürgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um transtorno como o da desvalorização do esporte feminino seja resolvido, faz-se mister debater sobre a importância da igualdade de gênero no acesso das mulheres aos esportes. Entretanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada em meios como a escola e a mídia. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Além disso, é válido destacar que a displicência estatal colabora com esse cenário. De acordo com a Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, o esporte é um direito de todos. Todavia, a negligência governamental em garantir o fácil acesso e influenciar a prática de atividades esportivas femininas, deixa claro que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo nacional. Dessa maneira, é importante salientar que essa má atuação do Estado provoca o crescimento da desvalorização do esporte feminino e, consequentemente, prejudica diversos indivíduos.
É necessário, portanto, superar os desafios existentes para que seja possível promover a valorização do esporte feminino no Brasil. Para tanto, é preciso que o MEC (Ministério da Educação), em parceria com as instituições escolares, promova no ambiente escolar um espaço para rodas de conversa e debates amplos sobre a importância da igualdade de gênero nos esportes. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e especialistas no assunto. Ademais, tais eventos devem ser transmitidos ao vivo nas redes sociais do Ministério, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao problema e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Dessa forma, contribuirá para o alcance da afirmação defendida pelo estudioso Herbert de Souza.