A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/05/2020
Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, o Iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar a questão do esporte feminino no Brasil, percebe-se que esse ideal é contestado. Neste contexto, deve-se analisar como a omissão das escolas e a negligência governamental colaboram para esse quadro.
Mormente, a ausência escolar é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque não há nas escolas, principalmente públicas, o incentivo por parte dos docentes de educação física, a participação das meninas em jogos de competição esportiva. Segundo a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria ‘‘banalidade do mal’’, o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando o indivíduo os normalizam. Nessa perspectiva, consequentemente, muitas meninas, durante a formação, não só sofrem preconceitos dos alunos ao exercerem alguns esportes, como também são negadas a participam de determinados jogos por serem considerados jogos masculinos como o futebol.
Outrossim, a inobservância do Governo é outro fator primordial para a temática. Vale lembrar que, durante a Ditadura Militar no Brasil, o ex-presidente Médici enalteceu a copa de 70 promovendo a imagem dos jogadores como, por exemplo, o Pelé. Analogamente, nos dias atuais, os governantes garantem a visibilidade das seleções masculinas com o apoio da mídia e de grandes patrocinadores. Logo, por consequência, os esportes praticados por mulheres não possuem grandes investimentos e visualizações, uma vez que, o Governo, em sua grande maioria, se destina apenas em promover e divulgar atletas masculinos.
Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve, por meio da elaboração de um projeto educacional como competições de jogos com a participação das meninas entre as diversas escolas, com o viés de não só incluir e incentivar a participação feminina desde os anos iniciais, como também de erradicar com o preconceito. Ademais, o Governo Federal, em parceria com a mídia, deve promover a divulgação da imagem das jogadoras brasileiras, além de, por meio da propaganda nos canais de comunicação e nas redes sociais, divulgar as conquistas da seleção feminina e os horários que estarão em competição, a fim de disseminar o esporte feminino no Brasil e a valorização dos jogos executado por mulheres.