A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 03/04/2020

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. A frase refere-se ao artigo 54 do Decreto-lei 3199, do ano de 1941. O fato é que, 79 anos depois, o retrógrado pensamento ainda perpetua-se na sociedade brasileira. Logo, é de suma importância reconhecer e combater essas desavenças, a fim de valorizá-las em campo.

Primeiramente, atribui-se uma perspectiva social e cultural, visto a maneira como são representadas nas imposições de papeis às que lhe são designados. Desse modo, a formação do caráter esportivo, desde a infância, é incentivada aos homens, que em decorrência, possuem maior inclinação à área. Os dados do relatório “Movimento é Vida” do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, revelam que as mulheres exercem 40% menos exercícios físicos que os homens.

Todavia, a mídia - ou a falta dela - é essencial pra a perpetuação desses estigmas, uma vez que, pouco visibiliza a prática, ou contribui com estereótipos acerca do corpo das atletas, seja sexualizando-os ou masculinizando-os, de modo a não focar verdadeiramente nos jogos. Isto é, no vôlei de praia, os competidores masculinos usam bermudas e camisetas como uniforme, enquanto as jogadoras biquíni.

Por fim, é preciso pontuar, a falta do apoio de marcas como um forte agente agravador para a situação, afinal, segundo a pesquisa realizada pela consultoria Brand Finance, o futebol feminino, no mundo todo, deixa de faturar US$1,2 bilhão em patrocínios. Justifica-se que os times, de cada gênero, possuem obrigações diferentes e que os ganhos não podem ser comparados.

Assim sendo, é necessário que as empresas, que apoiam as mulheres em campo, recebam uma redução nos impostos, visando incentivá-las a contribuir cada vez mais. O projeto deve partir do Superministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, por meio do Superministério da Economia, porque controla as questões orçamentais do governo. O projeto tem o propósito de valorizar e tornar a prática cada vez mais visível para a comunidade brasileira.