A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 14/10/2019
Pelé, o rei do futebol, sempre foi reconhecido por todo o país, mas a rainha do futebol recebeu destaque há pouco tempo. A jogadora Marta, se tornou a artilheira da Seleção em 2015, ultrapassando o recorde de gols do Brasil, e só então seu nome se popularizou. Ela é a prova viva de que as mulheres têm o potencial de brilharem em todas as áreas, sejam elas acadêmicas ou desportiva. Contudo, ainda que a valorização da mulher no esporte esteja aumentando hodiernamente, ainda há obstáculos a serem ultrapassados para moldar uma sociedade mais igualitária e respeitosa.
Primeiramente, é importante notar que a exclusão histórica sofrida pelas mulheres foi decisiva para a indiferença com o esporte feminino hodierno. Nesse contexto, segundo a escritora Simone de Beauvoir, a mulher sempre foi vista como “um produto elaborado pela civilização”, os homens eram livres para decidir os seus papéis na vida e a mulher era “o outro”, submissa às vontades da sociedade patriarcal. Tal condição fez com que limitações fossem impostas em todos os aspectos da vida feminina, no comportamento, nos estudos e nos esportes, por exemplo. Logo, já que as mulheres eram excluídas, somente os homens eram valorizados na história, o que reflete na falta de informação das últimas gerações sobre as mulheres no esporte.
Além disso, devido a esse sexismo, muitos políticos foram determinantes para restringir a liberdade das mulheres na história brasileira. Prova disso é a lei que proibiu as mulheres de participarem de competições esportivas, criada por Getúlio Vargas em 1941. Tal lei mostra um profundo preconceito deliberado com as mulheres já que foi justificada segundo parâmetros “científicos”. Contudo, o problema se agrava quando, mesmo após o fim do Estado Novo, os presidentes em sequência não fizeram questão de anular a lei, que permaneceu em voga até o fim da ditadura militar. Nesse amplo espaço de tempo, o país viu a ascensão de ícones como Pelé e Garrincha, mas, infelizmente, nenhuma mulher recebeu os holofotes da era clássica do futebol.
Portanto, é nítido que o sexismo da sociedade e da política brasileira foi responsável por desvalorizar a mulher no esporte por muito tempo, mas isso está começando a mudar graças ao engajamento político da nova geração atual. Dessa forma, cabe ao Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Especial do Esporte, difundir as atividades desportivas femininas através das redes sociais, onde a juventude poderá disseminar as informações com avidez, e garantir a transmissão de competições em que elas participam nas redes abertas de televisão, para atingir a população menos engajada com as tencnologias modernas. É dessa forma que novas estrelas do esporte nascerão e as mulheres passarão a serem reconhecidas como merecem, como as rainhas que todas são.