A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 26/09/2019

“Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades”, é provável que Luiz de Camões, poeta português, não se deslumbrava sobre o potencial que seus sonetos pudessem exercer em torno da discussão sobre esportes no Brasil. Se antes o esporte era cenário predominantemente masculino, atualmente é uma atividade que vem sendo ocupada, cada vez mais, por mulheres. Entretanto, apesar dos avanços, o esporte feminino ainda não é valorizado. Nesse contexto, deve-se analisar como o fator histórico-cultural e a falta de investimento influenciam na problemática em questão.

Em primeiro plano, é necessário entender como o fator histórico-cultural é um impulsionador do problema. Isso porque, ao longo da história da humanidade, a ideia na qual a função da mulher é apenas procriar e cuidar dos afazeres domésticos foi passada para as gerações. Prova disso é que as mulheres só conquistaram o direito de votar no país em 1932, muito após os homens. Além disso, esse preconceito contra as mulheres, ao longo dos anos, dificultou a inserção delas no esporte, de tal modo que desde a infância elas não são incentivadas a praticarem-no, seja futebol, artes marciais, entre outros.

Atrelado a isso, nota-se a dificuldade de aceitação pela sociedade e, consequentemente, o mercado capitalista não investe no esporte feminino no Brasil. Isso acontece porque o capitalismo busca realizar investimento em modalidades nas quais a população tem maior interesse, dessa maneira, terá retorno financeiros aumentados. Em decorrência disso, a modalidade feminina de esporte carece de visibilidade, incentivo e patrocínio. Tal fato é comprovado pelo modo que as ações voltadas a copa masculina de futebol são mais engajadoras e planejadas em relação a copa feminina. De acordo com o jornal Estadão, a premiação da copa feminina de futebol dobrou no último evento, chegando a trinta milhões de dólares, enquanto a premiação masculina é de 400 milhões de dólares.

Torna-se evidente, portanto, que a desvalorização do esporte feminino no Brasil é algo pertinente e precisa ser revisado. Em razão disso, o Ministério de Educação, em parcerias com as escolas, deve incentivar a participação feminina no esporte, por meio de gincanas que promovam discussão e inserção das alunas nessa atividade. Essa, por sua vez, deverá ser realizada por profissionais da educação física e das ciências sociais. Para que assim a aceitação venha crescer, e que o preconceito enraizado venha ser eliminado. Dessa forma, ampliará a inclusão de mulheres nos diversos esportes e aumentará os investimentos nessas atletas. E, quem sabe assim, a mudança dita por Camões venha ser somente positiva.