A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 15/01/2021

No filme “Ela é o cara” a protagonista é uma menina jogadora exímia de futebol, porém, o henredo gira em torno do fato de ela ser impedida de jogar justamente por ser mulher. Além disso, uma notícia do jornal “O Globo” contou a história real de uma menina que fez exatamente o mesmo que a protagonista do filme. Nesse sentido, nota-se que o problema relacionado ao esporte feminino não é algo particular da ficção. Nesse caso, entre os fatores que corroboram para a falta de valorização do esporte feminino no Brasil, destacam-se: o senso comum relacionado ao esporte e a falta de incentivo do Governo.

Vale pontuar, inicialmente, que a sociedade ainda defende o esporte como algo masculino. Unindo o conceito do sociólogo Émille Durkheim sobre fato social - o qual seria um conjunto de preceitos impostos ao indivíduo pela sociedade - com a ideia do biólogo Frans de Wall de que “os humanos são ricos em tendências sociais”, percebe-se que o senso comum segue sendo um grande influenciador do pensamento comunitário. Em relação a isso, sabe-se que, históricamente, esportes são considerados como algo inapropriado para mulheres e, devido a isso, a participação do público feminino nessas atividades seguem sendo desvalorizadas.

Além disso, atrelado ao pensamento arcaico da sociedade, o Governo Federal não incentiva suficientemente o esporte feminino em nosso país. A Constituição federal, promulgada em 1988, defende as práticas esportivas como sendo um direito de cada indivíduo. Contudo, sabe-se que esse direito não vem sendo defendido pelo sistema político de nosso país. Isso ocorre porque, devido ao sendo comum, as pessoas responsáveis por esse setor também entendem o esporte como algo majoritariamente masculino. Sendo assim, apesar da evolução da sociedade, a participação das mulheres no esporte segue sendo desvalorizada.

Portanto, é necessário que medidas sejam realizadas para a solução desses fatores. Nesse caso, cabe ao Ministério da Cidadania - ministério responsável por construir uma Política Nacional do Esporte - juntamente com a mídia desenvolver propagandas de incentivo ao esporte brasileiro. Nesse viés, deve-se realizar essas propagandas mostrando as mulheres que já fazem parte dos esportes no Brasil, de maneira a incentivar mais jovens à investir nessas atividades. Ademais, essa publicidade deve ser estendida, também,  a cartazes nas escolas e universidades brasileiras, além de haverem palestras sobre esporte feminino nesses locais, abertas ao público geral, a fim de alcançar maior parte da população e erradicar o pensamento errôneo do senso comum. Dessa maneira, a valorização do esporte feminino no Brasil ocorrerá e nenhuma menina precisará se vestir de menino para praticá-lo.