A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 11/09/2019
“Ela é o cara é um filme estadunidense, no qual narra a saga de uma jovem que resolve se fantasiar de homem para jogar em um time de futebol masculino, após a extinção desse esporte na modalidade feminina na sua escola. Em analogia, apesar de ser um filme fictício, retrata muitos aspectos do cenário atual brasileiro, principalmente quando se refere aos poucos incentivos à prática de atividades esporte por esse gênero. Isso decorre ainda, devido a construções culturais, bem como a carência de reconhecimento dessas cidadãs. Desse modo, é pertinente debater acerca da valorização do esporte feminino no Brasil.
Convém salientar, a princípio, que a mulher, ao longo da história, foi condicionada a exercer um papel atrelado aos cuidados domésticos, sendo excluída de quaisquer atividades que outrora poderiam desviar de tal objetivo. Isso pode ser observado, em cidades antigas gregas, nas quais esse gênero não poderia praticar atividades físicas e, tão pouco, assistir aos combates nas arenas, com o discurso de que ficariam masculinizadas. No entanto, embora tenha, no século XXI, ocorrido avanços com relação a emancipação dessas cidadãs, muitas delas encontram-se afastadas ou são a minoria em times de futebol, basquete, etc. Nesse sentido, é notório que o Brasil ainda reproduz essa desigualdade de gênero, visto que são ínfimos os incentivos à participação dessa categoria no esporte, principalmente na infância, contribuindo para esse entrave.
Outrossim, o Comitê desportivo Brasileiro, apesar de reconhecer os direitos de participação de mulheres nos diversos setores do esporte, muitas delas carecem de estímulo para praticar ou continuar nessa atividade. Sendo observado quando se menciona a jogadora da Seleção Brasileira Marta, que embora tenha ganhado vários prêmios como a melhor jogadora do mundo, ganha menos que a maioria dos homens nesse mesmo esporte. Nesse viés, essa ausência de destaque dificulta a notoriedade e, posteriormente, a popularidade dessa atividade de grande importância para a inclusão dessas cidadãs no ramo esportivo.
Portanto, percebe-se que são necessárias medidas para amenizar o impasse. Para tanto, é imperativo que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional do Esporte (CNE), promova, por meio de rodas de conversa e atividades físicas interativas, nas escolas, com o fito de voltar não só a aproximação entre os gêneros, mas proporcionar o contato das jovens com o esporte para vencer às questões culturais. Ademais, é imprescindível que o CNE formente projetos, por intermédio das mídias, com o objetivo de valorizar e impulsionar o esporte. Assim, as medidas vistas no filme não será preciso, visto que a sociedade terá um outro olhar sobre o esporte feminino.