A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 07/12/2020
A “Uberização” do trabalho é a transformação de um serviço em um aplicativo, com o intuito de facilitar a conexão entre quem presta o serviço e quem quer contrata-lo. Embora a “Uberização” tenha benefícios, por exemplo a otimização do tempo de serviço, a mesma também pode causar problemas na sociedade como a desumanização da mão de obra e a instabilidade financeira tanto para empresas quanto para funcionários.
Aplicativos de serviços que passaram pelo processo de “Uberização” funcionam de acordo com o cliente, este tem liberdade para escolher qualquer serviço presente no aplicativo em uso e cabe ao prestador do mesmo decidir se aceita o pedido do freguês. A maioria dos trabalhadores nesse meio não contam com salários fixos e dependem do número de serviços prestados para garantirem seus ganhos monetários, forçando-os a praticarem jornadas de trabalho irregulares e extensas que em alguns casos não oferecem o retorno financeiro esperado já que encontram-se a mercê da necessidade do usuário do aplicativo. Tal situação de desumanização do trabalhador esbarra na teoria do fato social patológico criada pelo sociólogo Émile Durkheim, o fato social patológico é o acontecimento que causa prejuízo a coesão social, e em um mundo onde se comenta tanto sobre uma sociedade mais justa casos de precarização do trabalho certamente vão de encontro a coesão social.
Por dependerem intrinsecamente da necessidade do contratante, os aplicativos não garantem estabilidade financeira para as empresas parceiras e consequentemente para os trabalhadores das mesmas, em um mundo globalizado que vive de fases efêmeras o recente sucesso de aplicativos como a Uber e Ifood pode tornar-se ultrapassado em um curto período de tempo, sujeitando milhares de brasileiros a necessidade de mais uma adaptação e procura por outras formas de sobrevivência uma vez que somente a Uber, serviço de transporte particular requisitado em tempo real, já conta com mais de 600 mil motorista além das pessoas envolvidas em outras áreas da empresa, dado fornecido pela revista financeira “Exame”.
Após análise dos problemas relacionados a mão de obra e a instabilidade econômica devem ser elaboradas pelo poder Legislativo, responsável pela criação e aprovação de novas leis no país, leis com o intuito de proteger os trabalhadores de aplicativos no Brasil, além da necessidade de elaboração de políticas públicas pelo governo e um fundo monetário, semelhante ao já existente auxílio desemprego, para assegurar que os trabalhadores que sofrerem com a instabilidade do mercado tenham certo tempo para buscar novas oportunidades em outras áreas de trabalho.