A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 07/12/2020
O desenvolvimento humano teve como principal objetivo a busca pela facilidade, eficiência e rapidez, algo que apenas se intensificou com o surgimento da economia industrial e do sistema capitalista. Entretanto, esse desenvolvimento não veio sem consequências negativas, uma vez que ele coloca em risco o valor a vida humana quando expõe os trabalhadores à atividades cansativas sem a remuneração ou direitos trabalhistas adequados.
Inicialmente, é necessário apontar a utilização de aplicativos de serviços durante a pandemia do COVID-19. No Brasil, uso de aplicativos de entrega de comida cresceram em 80% de acordo com os dados da AppsFlyer, mas os ganhos dos entregadores não cresceram na mesma proporção, uma vez que recebem uma quantia em torno de um salário mínimo, mesmo realizando uma jornada de trabalho que pode chegar até 20 horas diárias . Por não possuírem vínculo direto com as empresas que prestam os serviços de entrega, os trabalhadores não possuem benefícios como planos de saúde, férias remuneradas e direito à aposentadoria, colocando-os em situações precárias de existência nas quais não podem pagar por serviços de qualidade ou desfrutar do lazer.
Em segundo lugar, deve-se questionar o que leva uma pessoa a entrar no trabalho autônomo dos aplicativos. De acordo com o Banco Mundial, 9,1% da população se encontra abaixo da linha da pobreza. Essas pessoas, buscando uma forma de sustentarem a si mesmas e às suas famílias, submetem-se ao trabalho no qual seus direitos direitos não são garantidos e seu valor como ser humano é perdido. Esses trabalhadores passam, portanto, a representar apenas uma mão-de-obra para sustentar o rápido e crescente desenrolar de um capitalismo em que as pessoas que utilizam os serviços de aplicativo não enxergam a realidade por trás deles.
Concluindo, para que os serviços de aplicativo possam se tornar uma realidade que não agrida os valores da dignidade humana, é necessário que a Organização Internacional do Trabalho, juntamente com os órgãos de cada país, desenvolva projetos de leis que formalizem as relações de trabalho entre as empresas de aplicativos e seus empregados. Essa ação visa a assegurar os direitos desses trabalhadores, transformando esse serviço em uma opção segura e viável de emprego.