A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 07/12/2020

Não raro, os acontecimentos na sociedade brasileira têm fomentado debates acerca da uberização do trabalho na era tecnológica. Nesse viés, nota-se que se trata de uma conjuntura que assola o cotidiano pós-moderno e urge por soluções.Tendo isso em vista, não só a falta de direitos trabalhistas como também o grau de qualificação exigido pelas empresas para trabalhos formais endossam a importância de se resolver o problema.

Em primeira análise, é válido salientar que por não serem contratados formalmente, os trabalhadores por aplicativos não têm direitos ou garantias trabalhistas, como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social, ocasionando na precarização da atividade. Os ganhos dos trabalhadores de app dependem da quantidade de horas trabalhadas e para ganhar o mínimo para sobreviver, eles precisam trabalhar muitas horas por dia, sem a alimentação e o descanso essenciais. A oscilação de renda, o trabalho em excesso, a insegurança e a pressão psicológica das avaliações provocam estresse, ansiedade, doenças laborais e acidentes de trânsito, no caso de entregadores e motoristas.

Em segunda análise, é indubitável que a competitividade no mercado de trabalho ocasionado pela crise econômica e o desemprego em geral, influenciaram no processo de uberização. Nesse âmbito, para o filósofo Immanuel Kant o homem é aquilo que a educação faz dele.Tal conjuntura evidencia que a educação é essencial na formação de indivíduos qualificados para o mercado de trabalho, consequentemente aqueles que possuem menor grau de instrução sofrem com a falta de oportunidades.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Para solucionar esse imbróglio o Governo Federal deve impor uma regulamentação do trabalho por aplicativos para garantir a proteção dos prestadores destes serviços e promover cursos digitais gratuitos de educação financeira e de especialização em diversas áreas predispostas na nossa sociedade, para que assim esses novos trabalhadores saibam como investir e gerir seu próprio negócio, dando dignidade aos brasileiros.