A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 10/11/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto do que o autor prega, visto que o empasse sobre a ‘‘uberização’’ apresenta barreiras. Esse cenário antagônico é fruto tanto da baixa atuação do governo, quanto da falta de conscientização por parte da população.
A priori, é fulcral salientar a questão constituinte como uma das causas do problema. Nesse sentido, é recorrente o número autônomos em condições laborais irregulares que não apresentam benefícios, como férias, décimo terceiro e FGTS. Dessa maneira, a não intervenção do Estado fere o Contrato Social proposto por Thomas Hobbes, na qual é de total responsabilidade do governo garantir os direitos e bem-estar da população.
Ademais, outro fato a ressaltar é a falta de conscientização quanto ao modo de trabalho dos entregadores, tanto por parte do contratante, quanto dos clientes. Nesse âmbito, é comum os prestadores de serviços trabalharem sem condições de segurança ideais, como a utilização de equipamentos de proteção, além de jornadas de trabalho longas. Dessa forma, tal conjuntura vai contra a filosofia Aristotélica, na qual um indivíduo deve agir de forma a atingir o bem comum, não só o benefício próprio.
Diante do exposto, são inegáveis os prejuízos devido as condições precárias dos entregadores. Dessarte, o Ministério do Trabalho junto à Câmara dos Deputados devem implementar leis que garantam os direitos desse segmento de colaboradores, e direcionar fiscais que, por meio de visitas periódicas irão avaliar as condições laborais. Além disso, cabe ao Ministério da Educação inserir, nas redes de ensino, disciplinas ligadas a educação social, que por meio de palestras, aulas e estudos de caso, irão construir uma conscientização moral nos jovens. Desse modo, espera-se, em médio a longo prazo, que as gerações futuras não apresentem os problemas da atual, de forma a alcançar a Utopia de More.