A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 10/11/2020
Lançado este ano, o documentário Gig: “A uberização do trabalho”, tem como objetivo divulgar os serviços prestados por meio das plataformas digitais em todo mundo. No Brasil, esse processo consiste no trabalho autônomo, sem direitos trabalhistas, além disso vê-se a desigualdade de gênero dentro dessa modalidade de trabalho. Portanto, embora esse serviço seja visto como uma alternativa ao desemprego, nota-se um problema de precarização do trabalho que esses indivíduos estão sujeitos.
É importante enfatizar como a crise econômica e o desemprego em geral, influenciaram no ingresso em trabalhos por meio de aplicativos. Um dos principais argumentos da reforma trabalhista é tornar o sistema de trabalho mais flexível para aumentar a oferta de empregos e impulsionar a economia. No entanto, a economia permanece estável, então as oportunidades de emprego foram aumentadas por meio das plataformas digitais. Para tanto, o IBGE informou que 4 milhões de pessoas trabalham em empresas de aplicativos de serviços no Brasil sem vínculos trabalhistas. Portanto, na ausência de direitos e regulamentos, o indivíduo não encontra o apoio da empresa contratante, mas, por outro lado, é punido por ter sido avaliado de forma ruim pelo cliente.
Além disso, vale ressaltar a desigualdade de gênero que atinge as mulheres neste tipo de trabalho. Além do assédio de clientes e colegas que as mulheres sofrem, a desvalorização de salários e serviços também é outro problema relacionado à elas. Diante disso, um estudo publicado pela University of Chicago e Stanford University mostrou que a remuneração horária total das mulheres motoristas é 7% menor que a dos homens. Portanto, eles são as pessoas mais afetadas por esse processo; Devendo trabalhar duas vezes para ganhar uma renda, passando por inconveniências e elevando uma dupla jornada “casa x trabalho”.
Portanto, fica claro que a “uberização” vivida pelos brasileiros não evidencia uma solução prática e de curto prazo visto que essa modalidade se encontra em expansão. No entanto, para que a precarização do trabalho deixe de causar impactos na vida do trabalhador, cabe ao Poder Legislativo realizar um projeto de lei de regulamentação dos serviços prestados via plataformas digitas, por meio de regras a serem seguidas pelas empresas e com aplicação de multas em casos de violação dessas. Desse modo, aderindo parte dos direitos trabalhistas a fim de garantir um suporte ao trabalhador e por fim equiparar os lucros obtidos e as oportunidades de serviços entre homens e mulheres.