A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 10/11/2020
A Grande Depressão que se iniciou com a Crise de 1929, culminou na falência de empresas e em 12 milhões de norte-americanos desempregados, com isso a solução foi achar outras formas de trabalho. Analogamente, o número de desempregados no Brasil em 2020 é de 13,5 milhões segundo o IBGE, isso fez ascender ainda mais a chamada “uberização”. Esse fenômeno consolidou empresas que agora usam da tecnologia para intermediar a demanda de trabalhadores, que são cada vez mais informais. Se por um lado, isso fomenta o surgimento de novos empregos, por outro lado há também o processo de precarização da mão de obra, afinal, esses trabalhadores passam a não ter vínculos empregatícios.
Primeiramente, a uberização é um termo utilizado em vários contextos, no campo do trabalho, diz respeito à economia do compartilhamento: define uma relação de trabalho contemporânea em que se vende um serviço para alguém de forma independente, sem intermediações de empresas, e em geral via internet. Com isso, se concede a facilidade e o conforto para os clientes, e consequentemente, o barateio de serviços e de mão de obra, há também o incentivo ao surgimento de novos tipos de empregos. Além disso, a facilidade e o custo benefício para os empregadores é enorme, uma vez que, esse tipo de serviço não se dispõe de garantias de trabalho.
Ademais, apesar de conceder inúmeros benefícios, também deve-se citar que é uma nova forma de controle, gerenciamento e organização do trabalho, podendo ser compreendido como um processo de informalização. Assim é possível ter uma multidão de trabalhadores informais controlados por um algoritmo, o que acarreta em um problema, pois os serviços são decididos de acordo com a demanda. Dessa forma, se torna uma transferência de custos, pois apesar de poderem trabalhar como quiserem - que é uma das promessas do serviço -, os trabalhadores estão subordinados a uma série de regras que são onipresentes, sem garantia de remuneração, tempo de trabalho e até acidentes. Enfim, as profissões mais encontradas nessa nova relação são as de motorista e entregador, porém segundo o site UOL já se prevê que chegará aos médicos, advogados e até atores. Visto isso, se tornou óbvio que a tecnologia excedeu a humanidade, como afirma Albert Einstein, alterando até as formas de trabalho.
Portanto, a fim de melhorar os direitos de trabalho dos empregados da “uberização”, cabe ao Ministério da Economia - responsável pelas políticas de salário e emprego -, por meio de sanções, incluir o salário e condições de trabalho mínimas para empregados terceirizados, além de instaurar políticas para a relação de trabalho da uberização, haja vista que é uma nova forma de emprego. Outrossim, os trabalhadores, mediante paralizações e cobranças aos seus respectivos serviços, devem lutar por melhores condições de trabalho, de modo a ter melhores seguranças e remunerações.