A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 16/05/2022

O gênio austríaco Mozart, desde extremamente jovem, foi exaustivamente treinado por seu pai para ser um pianista, muitas vezes visto como uma mercadoria pelo próprio progenitor, o que resultou posteriormente no desenvolvimento de inúmeros distúrbios psicológicos que abalaram a vida do artista. A supervalorização dos laços sanguíneos, principalmente parentais, frequentemente leva a sociedade a relevar atitudes nocivas ao desenvolvimento da criança e que devem ser combatidas.

Nesse contexto, na série britânica “Black Mirror”, no episódio “Arkangel”, é retratado um caso familiar no qual a mãe implanta um aparato tecnológico fictício que a permite ver tudo o que a filha fazia, um controle tóxico e abusivo que no fim culminou no afastamento das personagens. Ainda que com o objetivo de proteger a única filha, o comportamento descrito violou a privacidade da garota, não havendo nenhum tipo de interferência por se tratar da mãe.

Sob tal ótica, vale ressaltar que, segunda pesquisa realizada pela Folha de São Paulo, mais de 75% dos casos de abuso infantil ocorrem entre familiares, evidenciando o mal que um parente pode causar. Paralelamente, na música “R.A.M”, da banda “O Rappa”, é cantando que família não é sangue, é sintonia, mostrando que de nada adianta compartilhar genes se não há um entrosamento e empatia entre os membros.

Portanto, com intuito de alcançar um mundo mais justo e livre de sofrimento, urge à sociedade civil que, por meio de denúncias, policiem e relatem às autoridades quando observarem casos de comportamentos nocivos, com potencial de acarretar em problemas aos jovens, por parte dos familiares. Ademais, é preciso a implementação de um canal de denúncias no qual a criança ou o adolescente possam seguramente relatar tais abusos, só assim será possível atingir uma comunidade com mais famílias em sintonia.