A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 14/05/2022

A obra “Cidadão Invisível”, trata da desvalorização de alguns indivíduos na sociedade brasileira. De fato, a crítica de Dimenstein é verificada na questão do estigma do núcleo familiar como vínculo primordial, pois muitas pessoas têm sua saúde mental destruída ao manterem um relacionamento abusivo com seus consaguíneos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do silenciamento em torno do tema somado à ideia de família frente ao capitalismo.

Diante desse contexto, a falta de informação mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Segundo Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, verifica-se uma situação de silenciamento, visto que várias pessoas não têm noção de que a família também pode ser tóxica e não existe uma ampla divulgação de informação acerca do assunto, afim de reverter essa problemática. Nesse sentido, essa é uma pauta que carece nas discurssões midiáticas e até no ambiente academico, uma vez que muito tem se falado sobre relações abusivas em relações amorosas, enquanto no núcleo familiar permanece como tabu, por se tratar de uma instituição supervalorizada socialmente.

Além disso, a sobreposição dos laços parentais e a supressão de problemas em tal entidade encontra terra fértil no sistema capitalista. Desse modo, é valido lem-brar que durante a Guerra Fria, no auge da disseminação do capitalismo, a família tradicional foi colocada como padrão em várias publicidades, o que ficou popularizado como “família de comercial de margarina”, fortalecendo essa ideia no cristianismo, que impunha o casamento e a paternidade como alianças eternas e inquebráveis, punindo o que fugisse a regra. Dessa maneira, os indíviduos não conseguem conseguem distiguir atos tóxicos em seus consaguineos, pois essa instituição é protejida pela elite burguesa.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre como identificar uma relação parental destrutiva e como tratá-la com terapia. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de psicólogos. Além disso, deve ser aberto aos familiares, afim de que mais pessoas compreendam questões relativas a sobreposição familiar em detrimento de seus problemas e como agir frente a essa situação.