A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 11/05/2022

De acordo com Tiago Ravenello, psicólogo e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMS), a família pode estabelecer bases de amor e reconhecimen-

to mas também ser criadora das dores e fragilidades dentro do núcleo familiar. Nesse sentido vale dizer que a sociedade supervaloriza so laços sanguíneos, fazen-do com que que essa dualidade tenha uma de suas faces escondida atrás do positi-vismo surreal que é imposto aos membros familiares. Assim, essa situação se torna especialmente prejudicial aos filhos, que sob a custódia de pais tóxicos se sentem sem saída.

Diante disso, deve se pontuar que, segundo o psicólogo Homero Belloni, a cul-tura preserva os laços familiares por serem os primeiros vínculos que uma pessoa cria em sua vida. Porém, diversas vezes, essa preservação se dá em razão da omis-são dos verdadeiros sentimentos dos membros familiares. Nesse prisma, cria-se uma uma relação tóxica e dificil de ser identificada.

Em segundo plano, vale ressantar que os pais são os responsáveis por guiar os filhos durante sua infância e adolescência, e por faze-lo de forma saudável. Entre-tanto, similar a síndrome de estocolmo, em que a vítma se apega ao abusador, os filhos tendem a buscar a aceitação de pais nocivos, gerando um ciclo de busca por aprovação seguido de rejeição que ressoa negativamente em suas vidas pessoais e profissionais. Sob essa ótica, para as crianças e adolescentes, que ainda estão em um período de formação, uma família tóxica pode ser extremamente prejudicial.

Portanto, afim reduzir os danos causados por relações danosas entre familiares, cabe ao governo promover campanhas, por meio da televisão, que ain-da é a forma mais acessível de disseminar informação, e das redes sociais, para conscientizar pessoas sobre relacionamentos tóxicos e como identificá-los. Somado a isso, as escolas devem promover debates e palestras com psicólogos para os alu-nos sobre como procurar ajuda e lidar com relações tóxicas dentro do núcleo fami-liar. Por consequência, será possível enxergar com nitidez a face escondida das re-lações familiares e lidar com ela sem fingir sua inexistência.