A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 10/05/2022
De acordo com Tiago Ravenello, psicólogo e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), a família pode estabelecer bases de amor e reconhecimento, mas também ser criadora das dores e fragilidades dentro do núcleo familiar. Nesse sentido, vale dizer que a sociedade supervaloriza os laços sanguíneos, fazendo com que essa dualidade tenha uma de suas faces escondida atrás do positivismo surreal que é imposto aos membros familiares. Assim, essa situação se torna especialmente prejudicial aos filhos, que sob a custódia de pais tóxicos se sentem sem saída.
Diante disso, deve-se pontuar que, por serem as primeiras relações que uma pessoa tem em sua vida, a cultura faz de tudo para que os laços famíliares sejam preservados, mesmo que para isso os sentimentos reais dos membros que a ela pertencem sejam colocados em segundo plano. Tudo está sempre bem, é proibído sentir coisas negativas.
Dessa maneira, é importante ressaltar o caso da Marcela, noticiado no site da UOL, em que a mulher de 32 anos, que viveu com uma mãe abusiva por muito tempo relata como foi duro lidar com os abusos da genitora tóxica. Marcela tentou suícidio antes de descobrir que a culpa não era dela, e que não havia nada que ela pudesse fazer. A moça então, carregando as cicatrizes dessa relação, se sentiu livre para buscar uma vida feliz, o que mostra como a cultura do “família é tudo” pode ser perigosa para quem cresce aos cuidados, ou falta deles, de pais tóxicos.
Portanto, medidas são necessárias para que casos como o de Marcela não se repitam. Para isso, cabe ao governo promover campanhas, por meio da televisão, que ainda é a forma mais acessível para todos, e das redes sociais, para conscientizar pessoas sobre relacionamentos tóxicos e como identifica-los. É importante também que as escolas promovam debates e palestras com psicólogos e outros profissionais que possam agregar no tópico para os alunos, jovens e crianças, sobre os como procurar ajuda e lidar com relações tóxicas dentro do núcleo familiar. Com isso, será possível enxergar com nitidez a face escondida das relações familiares e lidar com ela sem fingir que a mesma não existe.