A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 09/10/2022

Recentemente, o humorista Franklin Medrado publicou em suas redes sociais um vídeo que apesar de ser jocoso reflete a preocupante realidade de muitas salas de aula brasileiras: a susbtituição dos cadernos tradicionais por aparelhos eletrônicos. No vídeo, o professor faz anotações no quadro por um tempo considerável, mas os alunos não copiam a matéria, apenas fotografam, de forma a provocar a ilusão de que o conteúdo foi registrado e a deixar o professor sem argumentos para fazer com que os estudantes queriam escrever em seus cadernos.

Apesar de possuir um ar de modernidade, esse hábito prejudica a assimilação dos conteúdos, pois de acordo com a Neurocientista Dr. Taís Coelho, professora de Neurociência aplicada à educação, o cérebro precisa do estímulo proporcionado pelo ato de escrever à mão para registrar de forma eficiente o aprendizado. Segundo ela, fotografar os registros do professor não será sufiente, pois se o aluno não desenvolver esquemas mentais não aprenderá a matéria.

No entanto, a era tecnológica continua em expansão e é inevitável que aparelhos eletrônicos adentrem às salas de aula, seja da escola básica ou das universidades. Apesar disso, escrever à mão é um hábito que deve ser estimulado pelos professores e pelas famílias, a fim de que os estudantes possam desnvolver com maior plenitude as suas capacidades mentais.

Dessa forma, é imprescindível que o Ministério da Educação invista na formação docente, proporcionando cursos de formação continuada sobre neurociência aplicada à educação. A partir do momento que o professor tiver conhecimento sobre os mecanismos cerebrais envolvidos nessas diferentes formas de registros de conteúdos, terá mais argumentos para incentivar seus alunos a escolherem o que será mais útil na vida acadêmica deles, convencendo-os a fazerem dos registros fotográficos e documentos digitados uma ocasião especial e não uma rotina de estudos. Essa escolha proporcionará melhor rendimento acadêmico aos estudantes e consequentemente melhorará os índices da educação brasileira.