A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 06/10/2022

De acordo com o “The journal of leaning disabilities”, o ato de escrever é capaz de ajudar o desenvolvimento da mente e compreensão textual. Entretanto, no Brasil, infelizmente, as dinâmicas nas redes de ensino têm estimulado a substituição dos cadernos por notebooks e trablets, que irá fortalecer a massificação do ensino e danificar as relações de ensino e aprendizagem.

Em primeiro lugar, a inserção de aparelhos tecnológicos no lugar dos cadernos nas salas de aula possibilita a massificação do ensino; visto que a desvalorização das anotações nas folhas de papel em detrimento da escrita em trablets e celulares permite a migração do ensino para o mundo virtual e, sobretrudo, alimenta uma falsa ilusão que as práticas de aprendizagem caminham junto com as evoluções tecnológicas; assim, é descartado os métodos convencionais de ensino como a escrita com lápis e papel. Dessa maneira, essa migração abre espaço para a implementação de cursos de ensino - médio, técnico e superior - no espaço virtual; logo, há uma diminuição da carga horária e, até mesmo, a exclusão de avaliações que comprovem as aptidões dos alunos, como resultado surge um verdadeiro “fast food” educacional.

Ademais, a substituição do caderno por notebooks e tablets atrapalha a conexão entre professores e alunos; segundo a psicológa e professora da Universidade de Stanford, Kelly McGonigal, um celular em cima da mesa já é suficiente para reduzir a empatia e troca entre duas pessoas. Com isso, nota-se como ao colocar um aparelho tecnológico nas salas de aula é prejudicial a criação de laços entre educando e educador, que irá impulsionar o estudo passivo e, consequemente, refletir em uma educação bancária, apresentada pelo educador Paulo Freire, em que o conhecimento é apenas depositado no aluno.

Portanto, medidas são vitais para a definição de barreiras as tecnologias no ensino moderno. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, principal órgão promotor da educação, a criação de normas que regulamentem o uso de computadores, tablets e celulares em aulas específicas; a exemplo das matérias de informática e para pesquisas, com o objetivo de estimular o diálogo e a escrita. Quiçá, nessa via, a escrita será ferramenta essencial ao ensino brasileiro.