A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 26/09/2022

O avanço tecnológico trouxe muitos benefícios, e isso é inegável. Na área da educação, observa-se a ampliação de cursos à distância, chamados de EAD – Educação à Distância, onde o cursista só precisa de um computador, notebook ou até mesmo de um celular. Isso facilitou muito a vida de inúmeras pessoas que têm dificuldade de se deslocar até o local onde cursos presenciais acontecem.

Outrossim, o que falar quando o assunto é a qualidade do desenvolvimento cognitivo dos estudantes? Na geração passada, não muito distante, anos até os anos 90, muitos alunos tinham que registrar os conteúdos programáticos copiando do quadro, com o tempo limitado, porque o professor poderia precisar apagar os registros para copiar mais. Esse movimento motor fino – com os membros superiores – além de todo o esforço neural para que a escrita fosse efetiva no tempo da aula, exigia a atuação de várias funções cerebrais e motoras.

Em síntese, um grupo de estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba/PE, fez um estudo intitulado “Consequências do uso excessivo de telas para a saúde infantil: uma revisão integrativa da literatura” e chegaram à conclusão que dentre vários malefícios, estão em destaque: mau funcionamento cognitivo, problemas de concentração, prejudica o sono, promove o sedentarismo, menor interação social, causando também irregularidade na alimentação, cansaço extremo e estresse, além de ansiedade.

Portanto, as orientações das gerações passadas de que tudo exagerado pode ocasionar consequências drásticas se encaixa na atual realidade escolar, porque cada dia que se passa os estudantes estão mais distraídos com as “telas”, que possuem muitos atrativos, como luzes, movimentos, cores, além de não exigir o “exercício manual” da cópia, da escrita, dos desenhos, seja de mapas, partes do corpo, ou de qualquer escrita necessária para facilitar a aprendizagem de conteúdos. Intervenções educacionais e o repensar essas ações e interações exageradas com notebooks, computadores, celulares, tablets, entre outras ferramentas de alta tecnologia, devem ser repensadas pelo bem cognitivo e emocional das crianças e dos jovens deste século.