A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 10/03/2022
Segundo a Constituição Brasileira de 1988, é inerente a todos os cidadãos o direito universal de acesso à saúde de qualidade. No entanto, ainda é possível observar desvios desse conceito na realidade atual, quando observada a baixa procura de classes mais baixas à saúde bucal e a inoperância governamental na criação de políticas que tentem contornar essa problemática. Desse modo, faz-se necessário refletir acerca da questão.
Nesse panorama, demonstra-se a ignorância das camadas marginalizadas frente à importância do cuidado odontológico e seu consequente desinteresse. Sob essa perspectiva, torna-se relevante o princípio do “Espaço Público” da filósofa Hannah Arendt, que defende a total incorporação dos oprimidos - no caso, aqueles que não possuem condições de buscar melhores condições bucais - na teia social. Assim, é notável como discursos inclusivos, que buscem levar conscientização e facilitar a aproximação dessa parte da população com seu bem-estar, são vitais na discussão.
Outrossim, a falta de políticas públicas efetivas demonstra um empecilho no acolhimento desses indivíduos. Em sua obra “Cidadãos de papel”, o sociólogo Gilberto Dimenstein exemplifica a ideia de cidadãos que possuem direitos constitucionais, mas que não são assegurados na prática. Paralelamente, torna-se relevante a carência de projetos que visam uma melhor distribuição no atendimento dentista na sociedade brasileira. Dessa maneira, demonstra-se a urgência de uma intervenção estatal.
Mediante a situação apresentada, são necessárias medidas para apaziguar a problemática. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da criação de um projeto denominado “Dentistas Sem Fronteiras”, organizado a partir de recursos liberados pela União, promover consultas à domicílio em regiões carentes e com pouco acesso à profissionais, com o objetivo de garantir uma melhor saúde bucal aos brasileiros. Com efeito, espera-se que a Constituição Federal possa ser cumprida integralmente.