A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 30/07/2021

O autor José de Alencar, em seu livro “Iracema” retratou os indígenas de um modo romântico, visto que a personagem principal é um exemplo de convivência entre os indígenas e os portugueses. Tal visão romântica sobre os povos indígenas está sedimentada na cultura nacional e resulta em diversos malefícios a esse grupo. Visto que os indígenas são vistos como pessoas isoladas e, por isso, precisam, ainda hoje, serem integrados à civilização. Isso ocasionou um processo histórico e que se estende na atualidade e resulta no genocídio e no epistemicídio da população indígena.

Em primeira análise, faz-se necessário caracterizar o termo genocídio, posto que trata-se de ação intencional de entidades, empresas ou Estados para aniquilar grupos minoritários. Nesse quadro, os tratamentos violentos exercidos pelos colonizadores frente às diversas comunidades indígenas e, também, a disseminação de doenças contribuiu para o morticínio. O aniquilamento físico dos indígenas persistiu durante toda a história, o imaginário social vê os indígenas como um grupo de sub cidadãos e, por isso, desumaniza-os e os tornam descartáveis. Pode-se citar, portanto, como exemplo, o caso do índio Galdino que foi incendiado vivo, em 1997, por cinco homens enquanto dormia em um ponto de ônibus em Brasília. Assim, os indígenas ainda hoje lutam para deter o genocídio, visto que são vítimas, coletivamente ou individualmente, de diversos atos que negam a sua existência.

Ademais, a morte dos indígenas não se dá apenas no campo físico, mas também pela via cultural. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos cunhou o termo epistemicídio para explicar o processo de invisibilização em que passaram alguns grupos minoritários, como os indígenas, visto que a sociedade ocultou as contribuições culturais e sociais destes. Um exemplo possível é quanto às plantas medicinais, como o uso do óleo de andiroba que tem ação cicatrizante e anti-inflamatória, visto que isso é um conhecimento indígena. Frisa-se que o epistemicídio iniciou-se com os colonizadores, por exemplo, ao impor a catequização aos indígenas que tinham crenças em forças da natureza. Desse modo, tanto o epistemicídio quanto o genocídio estão atrelados e produzem efeitos atualmente.

Em suma, torna-se imprescindível a tomada de medidas para mitigar esses processos históricos que possuem efeitos nocivos para os indígenas. Logo, caberia aos Governos municipais e estaduais intensificar a formação de profissionais da educação, por meio de parcerias com Universidades e com lideranças indígenas. Assim, esses agentes seriam capazes de ministrar palestras e aulas nas escolas, com o intuito de disseminar as contribuições culturais e sociais que os indígenas forneceram à sociedade brasileira, afastando, enfim, a ideia de bons selvagens. Portanto, haveria uma humanização dos indígenas e uma provável valorização dos seus conhecimentos e de sua própria vida.