A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/10/2019

A Constituição de 1988 reconheceu no artigo 231 o direito dos índios aos seus costumes, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que ocupam, sendo competência da União demarcá-las. No entanto, o que se observa na atualidade é constantes casos de violência contra os povos indígenas. Assim, fazem-se necessários analisar as causas responsáveis por essa enorme divergência que existe entre o que é dito na lei e o que é garantido de fato.

Em primeiro lugar, há uma banalização da questão indígena por muitos hoje em dia. O índio sofre uma repressão contínua da população, com uma duração de mais de quinhentos anos, por questões, como por exemplo, da interminável expansão agrícola no Brasil, que chacina, devasta e destrói culturas, línguas e etnias. A noção que muitos têm acerca dos indígenas é de que eles são como bárbaros e selvagens, colocando nossa cultura como a principal e, muitas vezes, a única existente em nosso país.

Deve-se abordar, ainda, que enraizadas na sociedade brasileira, ideias incertas e preconceituosas a respeito do modo de vida indígena e seus valores não deixam de se difundir. Como resultado, ocasionam uma acentuada violência e preocupante dificuldade de inserção do nativo no meio social. A crescente taxa de suicídio entre jovens da aldeia indígena é reflexa de uma civilização que oprime os hábitos indígenas perante ambientes de trabalho, educação e lazer, consequência da banalidade, e de que o nativo não pode usufruir dos bens civilizatórios. Desse modo, intensificam-se os obstáculos existentes para a efetivação dos direitos garantidos aos índios, certificado na constituição de 1988.

Portanto, é imprescindível que essa questão seja tratada o mais rápido possível. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça investir em entidades indigenistas, como a Funai, para demarcar e regularizar as terras pertencentes aos índios. Dessa forma, colaborando com o impedimento da expansão agrícola e pecuária. Ademais, a mídia tem o papel fundamental para essa mudança, com a difusão de campanhas através de seus setores, para que tornem os conflitos indígenas não mais como uma banalidade, mas como uma problemática que deve ser urgentemente tratada. Dessa forma, com tais retificações acerca dessa questão, será possível acabar com a contínua cultura que Caminha estabeleceu há quinhentos anos atrás.