A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 17/04/2021
É inegável o fato de que as tecnologias do século XXI trouxeram múltiplos benefícios para o tecido social completamente voltado ao progresso. Entretanto, tais benefícios, a exemplo da possibilidade de acesso às informações, tornam-se restritos a uma ínfima parcela populacional a partir do momento em que a questão do analfabetismo digital se apresenta como uma realidade a ser experimentada. Nessa conjuntura, é imprescindível analisar os aspectos que corroboram o problemático cenário de analfabetismo acima mencionado, dentre os quais se destacam: precária estrutura legislativa voltada ao suporte tecnológico e alheamento coletivo frente ao funcionamento dos aparatos digitais.
Em primeira instância, é lícito postular que a deficiente disponibilidade de normas e leis que regem o campo digital configura-se como um entrave à utilização eficiente e segura dos aparelhos adquiridos pelos indivíduos. Isso ocorre pois, destituídos de suporte e instruções acerca do funcionamento eletrônico, as pessoas tendem ao tangenciamento dos principais objetivos propostos pela era tecnológica: sociabilidade -ou seja, comunicação- e informatividade. Tal argumento se sustenta pela teoria do insigne filósofo contratualista John Locke, o qual aponta que a primordial função do Estado é a de estabelecer diretrizes que viabilizem a plena condição de harmonia e interação entre as partes constituintes da sociedade. Assim, infere-se que a responsabilidade do complexo sistema de analfabetismo digital brasileiro não se restringe somente ao corpo civil.
Outrossim, faz-se necessário evidenciar que, como uma das consequências advindas da negligência legislativa, emerge no panorama nacional a ampla ignorância coletiva quanto ao usufruto das tecnologias digitais. Consoante ao contemporâneo sociólogo Jurgen Habermas, as possibilidades comunicativas tendem à excelência quando os indivíduos imersos nas dinâmicas interpessoais possuem conhecimentos verídicos em relação à fonte propagadora e à informação propagada. Logo, nota-se que o alheamento social diante dos modernos aparelhos contribui significativamente para a consolidação do ineficiente processo interativo associado ao analfabetismo digital.
Dessa forma, urgem ações concretas por parte das instituições escolares, a fim de que o problemático quadro de analfabetismo digital no Brasil seja solucionado desde os primeiros anos de formação pessoal. Nesse sentido, por meio da implantação obrigatória e geral da disciplina “tecnologias e atualidades” na matriz curricular do ensino fundamental, médio e superior, a sociedade se desvincilhará da desinformação e, de fato, alcançará o tão almejado progresso do século XXI.