A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 17/04/2021
O conceito de “analfabetismo digital” foi criado pelo jornalista e escritor brasileiro Gilberto Dimenstein em 1997 e significa que as pessoas estão tendo cada vez mais acesso a ferramentas tecnológicas, mas ao mesmo tempo não são instruídas de como utilizá-las corretamente. Isso se deve à formação precária na área tecnológica que as escolas no Brasil apresentam, bem como à falta de acesso a esse tipo de aparelho nos mesmos ambientes.
Tendo em vista o papel da escola na transformação da sociedade cabe o pensamento do historiador francês Roger Chartier que diz que as escolas devem funcionar como uma ponte interligada ao poder público, que por sua vez intervirá na sociedade. Ou seja, é começando pelas instituições de ensino do país que as grandes mudanças sociais ocorrem, incluindo o aprendizado relacionado à tecnologia.
Outrossim, há ainda a problemática na questão dos investimentos. Segundo o Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) realizado em 2015, um quinto dos estudantes confirmaram que em suas respectivas escolas existem computadores, mas que esses não são utilizados pelos alunos, convertendo-se na necessidade da reserva de materiais exclusivamente ao corpo discente das escolas.
Portanto, é notável que o processo de mudança no quadro brasileiro em relação à alfabetização digital está intimamente ligado ao ambiente escolar. Dessa forma, o Ministério da Educação (MEC) deve ser responsável pela implementação de uma nova matéria na grade curricular estudantil que ajude os alunos de instituições públicas e privadas a se familiarizarem com as ferramentas tecnológicas, por meio do investimento em computadores que sejam de uso discente para que, aos poucos, a situação seja revertida e haja uma comunicação entre as escolas e o poder governamental, como prevê Roger Chartier.