A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 05/03/2021

Em 1997, o conceito de “analfabeto digital” foi cunhado pelo jornalista Gilberto Dimenstein para explicar formas de exclusão produzidas pelas novas mídias. Nesse sentido, no Brasil hodierno se torna claro que a digitalização de diversos aspectos do mundo não atinge de forma homogênea a sociedade da nação, gerando inúmeros problemas. Assim sendo, deve-se salientar a importância de analisar as mazelas produzidas pelo baixo acesso às ferramentas digitais e consequentemente a exclusão de uma parcela da sociedade vulnerável em relação ao mundo globalizado.

Primeiramente, sabe-se que existe um quantitativo considerável de pessoas que não possuem acesso à internet, o que dificulta o aprendizado e a alfabetização digital delas. Nesse âmbito, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ( IPEA), “67% da população ( acima de 10 anos ) possui acesso à internet” e segundo o relatório da revista britânica “The Economist”, o Brasil ocupa a 66º posição quanto à alfabetização digital. Logo, vê-se que as escolas brasileiras precisam estar aptas para o ensino digital tanto para formação dos professores quanto dos alunos.

Por conseguinte, cabe ressaltar que o baixo acesso às ferramentas digitais dificulta a interação do indivíduo nos espaços de cybercultura e isso o leva a ser excluído das atividades, sem haver troca de conhecimento entre os envolvidos. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Pierre Levy,  “Toda tecnologia gera seus excluídos.” Diante disso, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) afirma que"20,19% dos alunos responderam que a escola possui computadores que não são utilizados por eles." Isso evidencia que as escolas, de certa forma, excluem os seus.

Portanto, para amenizar a questão do analfabetismo digital no Brasil, é importante que o Ministério da Educação - como instituição de alta relevância para o país, amplie com urgência o acesso às novas tecnologias nas escolas, por meio de aulas preparatórias para a formação de professores e alunos, para que as comunidades tenham acesso aos instrumentos tecnológicos a partir das escolas públicas.