A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 05/03/2021
Hodiernamente, vivemos submersos num tsunami de informações das mais diversas esferas, que nos alcançam a partir de todas as modalidades digitais. Na visão do empreendedor e escritor Neil Patel, a partir do final do século XX, iniciamos uma brusca transição entre eras, rumo a uma sociedade cada vez mais virtual e com intensa integração entre ciência, produção e tecnologia. A dita transição é deveras veloz e implacável, e isso é fator primário para a questão do analfabetismo digital no Brasil. Em suma, a sociedade não consegue acompanhar a velocidade da mudança e nem obtém apoio para tal, se tornando cada vez mais obsoleta no âmbito da compreensão e convivência nesta nova realidade.
A priori, deve-se entender o conceito de crescimento exponencial e notar sua importância para o tema. Para demonstrar a velocidade com que a tecnologia pode evoluir, o engenheiro Gordon Moore postulou que a capacidade de processamento dos computadores aumentaria em 100% a cada 18 meses, um crescimento muito além da realidade humana de absorção de conhecimento. Todavia, hoje acredita-se que a Lei de Moore está desatualizada; o crescimento é de 100% a cada 6 meses. Apesar de ter pensado exclusivamente no processamento computacional, o autor acaba por incluir em sua projeção todo o âmbito tecnológico. Destarte, é fácil compreender parte da questão do analfabetismo digital: enquanto a evolução humana se constrói linearmente, a evolução da digitalização se faz exponencial.
A posteriori, é essencial perceber que mesmo com a supracitada dicotomia entre a sociedade e o digital, a questão da temática é intensificada pela displicência do governo nesse aspecto. Não existe nenhum esforço para introduzir as pessoas a essa nova forma de convivência, o que gera o agravamento do analfabetismo digital no Brasil e desemboca em inúmeros problemas relacionados ao assunto. O PIX, por exemplo, pode ser usado para ilustrar um óbice do tema. O novo sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central expõe a população de idosos a uma imensa gama de golpes, e essa vulnerabilidade tende a crescer junto as facilidades do meio digital.
Nesse sentido, algumas medidas podem ser tomadas para minimizar os efeitos e resolver, paulatinamente, a questão. O governo federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, deve implementar um programa de integração da população ao meio digital, incluindo nesse uma série de competências a serem atingidas para a segurança e conforto do cidadão e convivência harmônica com a tecnologia. Aliado a isso, a modificação das interfaces dos sites e aplicativos do governo a fim de simplificar seu uso e abrigar as pessoas menos habituadas com o espaço virtual é medida também essencial. Dessa maneira, os impactos do analfabetismo digital serão minimizados e a sociedade estará cada vez mais habituada com a transição que protagonizamos diariamente.
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