A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 06/03/2021

No livro “Frankenstein”, Mary Shelley reflete em seu personagem principal, a criatura feita por Victor Frankenstein, a importância da alfabetização e do conhecimento. Ao longo da narrativa, a criatura percebe que a alfabetização era a melhor forma de se incluir na sociedade e a falta desta o isolava. Abandonando a ficção e adentrando na contemporaneidade verde-amarela, o panorama criado por Shelley pode ser comparado ao meio virtual, no qual o analfabetismo, digital isola os indivíduos. Assim, faz-se necessário discutir a questão do analfabetismo digital no Brasil, questão agravada pela falta de inclusão digital e pela falta de conhecimento a respeito dos meios digitais.

É válido, primeiramente, destacar que o Brasil ainda é uma nação díspar no que tange ao acesso a diversos recursos, como a tecnologia, propiciando a falta de inclusão digital de parcela da população. Ainda no cenário brasileiro, muitos fatos são noticiados no meio virtual, e, dessa forma, a fração que não tem acesso a aparelhos tecnológicos é prejudicada. Ao tomar como base o pensamento do filósofo Habermas, a partir do qual o homem, através da ação comunicativa, defende os seus interesses para a melhora da sociedade, nota-se que, ao excluir uma parte da população do meio virtual, um dos principais veículos de informação, há a quebra da ação comunicativa e, consequentemente, a falta da defesa de interesses de determinado grupo. Assim, a falta de inclusão digital, além de ser reflexo da disparidade econômica, afeta o zelo pelo bem grupal dos brasileiros e a manutenção do analfabetismo digital.

Analisa-se, também, que mesmo aqueles que possuem acesso à tecnologia não fazem uso correto. Muitas vezes, os brasileiros acreditam em informações na rede e as divulgam por acharem que se a informação está presente em sites da Internet, é verdadeira. Essa prática é prejudicial, pois a Internet, segundo o teórico norte-americano Sage Elwell, é um meio de colaboração e criação, no qual usuários podem ser criadoras das mais diversas narrativas. Assim, uma narrativa que está em um site pode ser completamente falsa, o que torna a Internet um veículo repleto de informações não-confiáveis. Por consequência, não é o suficiente ter acesso aos meios digitais, mas deve ser necessário saber usá-lo.           Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a questão. O Ministério da Ciência, Tecnologia e informações, por ter o papel de gerir a tecnologia e a informática no Brasil, deve propor a ampliação das operadoras de internet, visando para a inserção de indivíduos no meio digital, e a criação de cartilhas informacionais para auxiliar na difusão do conhecimento para as pessoas que já estão inseridas no universo informacional, com a finalidade de combater a onda de desinformação, ressaltando o panorama de Shelley, no qual a alfabetização é um meio essencial para a inclusão de todos os indivíduos na sociedade.