A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 05/03/2021

Uma produção televisiva que marcou a infância de muitos brasileiros  nos anos 90 e 2000 é o “Castelo Rá- Tim- Bum”. Tal trama conta como personagens anfitriões do Castelo o “Tio Victor” e “Morgana”, sua esposa, que, embora estejam com a idade avançada, apresentam um grande domínio da ciência tecnológica e dos avanços de sua época. Já fora das programações infantis, não só os idosos, mas também grande parte da população brasileira não apresenta domínio ou sequer acessa o meio digital. A fim de compreender os efeitos de tal problemática, é fundamental o entendimento do elemento motivador do analfabetismo digital no Brasil.

Com efeito, o primeiro aspecto a se considerar é, sem dúvida, a não democratização do acesso à internet e ao ensino digital. Tal questão ocorre, pois a desigualdade social presente na nação brasileira possibilita a disparidade entre regiões, isto é,  parte significativa da sociedade brasileira, sobretudo em regiões mais vulneráveis como: favelas, comunidades ribeirinhas, povos indígenas e vítimas da seca, não possui acesso ao meio digital e, principalmente, auxílio para manusear aparelhos. Ao tomar como base o pensamento do economista Celso Furtado, a partir do qual “o subdesenvolvimento é um grande negócio”, nota-se que a não capilarização dos meios tecnológicos entre as pessoas é uma grande estratégia de manutenção do poder enconômico por parte de poucos.

Em segundo lugar, é fundamental destacar, ainda, que tal falta de acesso possibilita a exclusão da população não beneficiada e o impedimento do usufruto de inúmeros serviços presentes no meio digital. Isso ocorre, porque, uma vez que o indivíduo não conhece o “Universo tecnológico”, este é privado de informações e tendências da contemporaneidade, a exemplo, a migração de jornais e bancos para o modo virtual. Esse fato possibilita ao cidadão um sentimento semelhante ao termo utilizado pela urbanista Erminia Maricato ao discorrer sobre as desigualdades urbanas, denominando-o de “melancolia da desigualdade”.

Dessa maneira, torna-se imperativa uma medida de que minimize a problemática do analfabetismo digital no Brasil. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, por ser responsável pelo asseguramento dos direitos de todos os cidadãos, promova a inserção das regiões mais vulneráveis do país no nicho tecnológico, através da criação de “Portos Digitais” que contarão com a presença de universitários da área para o auxílio dos moradores da região. Assim, os avanços tecnológicos estarão presentes no cotidiano das pessoas como no “Castelo Rá-Tim- Bum”.