A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 05/03/2021
Fruto de um processo histórico recente, a quarta revolução industrial pode ser entendida como a convergência dos setores tecnológicos que transformam fundamentalmente o modo de viver e de se relacionar com o mundo. Entretanto, em razão do grande número de brasileiros que não possuem habilidades e/ou mecanismos para utilizar a internet de maneira eficiente, é fato que o analfabetismo digital é, mais do que nunca, uma lamentável realidade no país. Assim, tal questão é resultado não só da falta de acesso aos aparelhos e redes de tecnologia por uma parcela margilizada, como também da ausência de abordagens pedagógicas que deem ênfase no ensino da então “internet das coisas”.
Em primeira análise, cabe analisar de que modo a falta de contato com meios tecnológicos acarreta na exclusão social. Consoante a isso, para o sociólogo francês Pierre Lévy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos”, reforçando, direta ou indiretamente, as retrições para o acesso da cibercultura, isto é, costumes e hábitos desenvolvidos nas redes informacionais. Tal fato pode ser explicado pelo fator econômico, uma vez que os gastos para possuir e manter aparelhos e serviços de internet são incompatíveis e desproporcionais aos ganhos de metade da população brasileira, que chega a ganhar até 820 reais mensais, segundo o IBGE, sendo esse o mínimo para a sobrevivência. Assim, é nítido que a questão financeira é fator que tende a reforçar a permanência desse quadro social.
Outrossim, deve-se levar em conta a parcela da população que, apesar de ter os mecanismos tecnológicos, não possue habilidades e conhecimentos necessários para “navegar” na internet com autoridade e segurança. De acordo com o papel atribuído às instituições de ensino, é função das mesmas preparar brasileiros para o corpo social visando o exercício do papel cidadão, o que inclui, também, a participação dos mesmos na esfera tecnológica. Paralela a essa perspectiva, Steve Jobs, idealizador da empresa Apple, afirma que “a tecnologia move o mundo”, sendo necessário, portanto, a instrução com relação aos termos técnicos inerentes aos funcionamento dos aparelhos da quarta revolução industrial.
Nesse sentido, cabe a iniciativa público-privada, por meio dos poderes legais e responsáveis, apresentar medidas que facilitem o acesso aos aparelhos e manutenção de tais serviços essenciais, seja por meio de ofertas economicamente mais acessíveis, como também de projetos sociais que incentivem o uso dos mesmos, a fim de encorajar e destacar a necessidade de estar incluso na rede informacional século XXI. Assim, pretende-se reduzir os índices de analfabetismo digital visando a construção de uma sociedade mais informatizada e inclusiva em relação às tecnologias que nos circundam.